Cuba anuncia racionamento de combustível após bloqueio dos EUA, que oferecem ajuda humanitária
Cuba raciona combustível após bloqueio dos EUA; ajuda de US$ 6 mi é criticada

O governo de Cuba divulgou nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, um plano de racionamento de combustíveis em resposta às ações dos Estados Unidos, que têm bloqueado o envio de petróleo para a ilha. A medida surge em meio a uma grave escassez que ameaça a estabilidade do país, com apagões em larga escala e reservas de combustível que podem durar apenas mais 15 a 20 dias, conforme dados da empresa belga Kpler, publicados pelo Financial Times.

Contexto da crise e medidas de contingência

A crise cubana se intensificou após os Estados Unidos capturarem o ditador venezuelano Nicolás Maduro e implementarem barreiras para impedir o fornecimento de petróleo à ilha. O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que impõe tarifas contra nações que exportarem combustíveis para Cuba, exacerbando a situação já precária. Em resposta, as autoridades cubanas anunciaram uma descentralização das importações de combustível, permitindo que qualquer entidade com capacidade possa realizar essas transações, numa tentativa de contornar o bloqueio.

Prioridades no uso de combustível e impactos setoriais

De acordo com o ministro do Comércio, Oscar Fraga-Pérez, o governo vai priorizar o uso de combustível para serviços essenciais, como saúde, defesa, e os sistemas de abastecimento de alimentos e água. Além disso, os setores agrícola e de turismo serão mantidos como prioridades para minimizar danos econômicos. O ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez, afirmou que voos nacionais e internacionais permanecem operacionais, mas a situação exige cautela e ajustes contínuos.

Para enfrentar a crise energética, Cuba também planeja reforçar os investimentos em produção de energia solar, visando garantir a geração de eletricidade de forma mais sustentável. O ministro do Trabalho, Jesus Otamendiz, destacou que o plano de contingência inclui a garantia do pagamento de um salário básico aos trabalhadores estatais durante este período difícil, assegurando algum nível de segurança econômica para a população.

Ajuda humanitária dos EUA e reação cubana

Enquanto isso, os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira, 5 de fevereiro, o envio de US$ 6 milhões em ajuda humanitária para Cuba. Segundo Washington, os recursos têm como objetivo reduzir os prejuízos causados pelo furacão Melissa, que atingiu a ilha em outubro. No entanto, a medida foi recebida com ceticismo e críticas por parte das autoridades cubanas.

Críticas à hipocrisia da ajuda

O vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, classificou a iniciativa americana como hipócrita. Em declarações nas redes sociais, ele escreveu: "É bastante hipócrita aplicar medidas coercitivas draconianas, negando condições econômicas básicas a milhões de pessoas, e depois anunciar sopa e comida enlatada para poucos". Essa reação reflete a tensão contínua entre os dois países, onde ações de pressão econômica se misturam com gestos de assistência, criando um cenário complexo de relações internacionais.

A crise em Cuba se agrava diante de sanções adicionais e apagões frequentes, colocando em risco a sobrevivência do país. Com o racionamento de combustível em vigor e a ajuda humanitária sendo questionada, o futuro imediato da ilha permanece incerto, dependendo de soluções diplomáticas e ajustes internos para superar este período desafiador.