Conferência de Segurança de Munique inicia sob clima tenso com sombra de Trump
Conferência de Segurança de Munique inicia sob clima tenso

Conferência de Segurança de Munique inicia sob clima de desânimo e tensão

O histórico hotel Bayerischer Hof, em Munique, recebe a partir desta sexta-feira (13) a tradicional Conferência de Segurança de Munique, conhecida internacionalmente pela sigla MSC. O evento, que se estende até o próximo domingo, reúne representantes de 120 países, mas o clima entre os líderes europeus é descrito como mais desanimador do que esperançoso.

Crise de confiança sem precedentes nas relações transatlânticas

Pouco mais de um ano após Donald Trump iniciar seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, a relação transatlântica é considerada profundamente abalada. A política externa disruptiva de Trump lança uma sombra sobre o evento de alto nível, com o presidente americano sendo classificado no Relatório de Segurança de Munique como líder dos "homens da demolição".

O documento, intitulado "Em destruição", acusa esses chefes de Estado de praticarem uma "política de bola de demolição" que destrói regras vigentes e instituições respeitadas. A observação de Trump de que "não precisa de direito internacional" é citada como mais uma prova dessa postura.

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Presenças ilustres e ausências significativas

Entre os cerca de mil participantes, estarão presentes nada menos que 200 representantes de governos. Os líderes mundiais esperados incluem:

  • O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky
  • O presidente francês, Emmanuel Macron
  • O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz
  • O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi
  • A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen

Esta última confrontou Trump recentemente quando ele reivindicou a posse da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca. Apesar do episódio, Mette Frederiksen e o premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, vão se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, às margens da conferência.

Delegação americana dividida e reposicionamento europeu

A delegação dos Estados Unidos será liderada pelo secretário de Estado Marco Rubio, com Wolfgang Ischinger, presidente da conferência, expressando esperança de que Rubio "fale sobre política externa americana, e não sobre temas que não dizem respeito diretamente ao seu ministério".

O vice-presidente JD Vance, que gerou forte desconforto no ano passado com discurso crítico à Europa, não foi convidado desta vez. Contudo, a delegação americana inclui também o governador da Califórnia, Gavin Newsom, firme opositor de Trump que já havia cobrado os europeus por mais firmeza diante do presidente americano.

A questão central da conferência será como a Europa deve se reposicionar diante da nova ordem global. O chanceler alemão Friedrich Merz, que fará a abertura do evento, convocou recentemente os europeus a "aprenderem a linguagem da política de poder", com investimentos na defesa europeia e estabelecimento de novas parcerias estratégicas.

Critérios seletivos de participação e temas sensíveis

Os convites para a Conferência de Segurança de Munique são distribuídos com rigoroso critério. Diferentemente de anos anteriores, representantes do governo iraniano não foram convidados desta vez devido à repressão violenta às recentes manifestações no país. Em compensação, membros da oposição e da sociedade civil iraniana terão espaço no evento.

A guerra da Rússia contra a Ucrânia será novamente tema central, mas nenhum representante do governo russo estará presente. Desde 2022, quando a delegação russa cancelou sua participação pouco antes do ataque em larga escala contra a Ucrânia, não houve "qualquer sinal de Moscou", segundo Ischinger.

O Prêmio Ewald‑von‑Kleist da MSC será concedido não a uma personalidade, mas sim "ao corajoso povo ucraniano".

Retorno controverso da ultradireita alemã

O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), que ficou de fora do evento nos últimos dois anos, terá três parlamentares convidados nesta edição. Ischinger decidiu mudar a linha adotada por seu antecessor e não excluir mais o maior partido de oposição do Bundestag, embora os representantes da sigla não tenham espaço nos palcos principais da conferência.

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Na edição anterior, a AfD havia denunciado sua exclusão como discriminação e chegou a recorrer à Justiça, mas perdeu a ação. A decisão de reincluir o partido promete gerar debates adicionais em um evento já marcado por profundas divisões e incertezas sobre o futuro da segurança global.