China pede fim de ações militares no Oriente Médio e alerta para risco de crise global
China pede fim de ações militares e alerta para crise global

China pede cessar-fogo no Oriente Médio e alerta para impacto na economia global

O governo da China fez um apelo urgente nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, para que todos os envolvidos no conflito no Oriente Médio — com ênfase especial nos Estados Unidos e em Israel — interrompam imediatamente as ações militares. A declaração ocorre em um contexto de tensões crescentes, ilustrado por imagens de um prédio destruído após um ataque em Teerã, no Irã, no dia 21 de março, que evidenciam a escalada da violência.

Diplomacia chinesa busca estabilidade na região

O enviado especial da China para o Oriente Médio, Zhai Jun, utilizou uma metáfora contundente ao afirmar que "quem amarrou o sino deve ser o responsável por desamarrá-lo", referindo-se à necessidade de os protagonistas do conflito buscarem uma solução pacífica. Esta declaração foi realizada após uma série de viagens diplomáticas intensivas que incluíram países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, demonstrando o compromisso de Pequim em mediar as disputas.

Zhai Jun reforçou que a China manterá uma comunicação próxima com todas as partes envolvidas, continuando os esforços para reduzir as tensões e promover a estabilidade na região. Em paralelo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, foi enfático ao criticar o uso da força, declarando que "só agravará o conflito" e que a guerra "não deveria ter começado".

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Risco de um ciclo vicioso e caos regional

As autoridades chinesas expressaram profunda preocupação com o risco de um "ciclo vicioso" na guerra, alertando que "o prolongamento e a intensificação das hostilidades podem mergulhar toda a região no caos". Este cenário é agravado por recentes desenvolvimentos, como o ultimato do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no sábado, 21 de março, deu um prazo de 48 horas para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, sob ameaça de destruir usinas de energia iranianas.

Os ataques iranianos que praticamente fecharam esta passagem estratégica — responsável por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito — já desencadearam a pior crise do petróleo desde a década de 1970, elevando os preços e criando incertezas no mercado energético mundial.

Impacto econômico nas exportações chinesas

Embora o governo chinês não tenha detalhado publicamente todas as suas apreensões, analistas destacam que um conflito prolongado no Oriente Médio pode ter repercussões significativas nas exportações da China. Economias emergentes, que são cruciais para impulsionar o crescimento das vendas externas chinesas, tornam-se mais vulneráveis diante do aumento dos custos de energia e da escassez de petróleo.

Um relatório do Goldman Sachs projetou que a desaceleração nesses mercados deve impactar negativamente as exportações chinesas nos próximos meses. Em resposta, o banco revisou para baixo a projeção de crescimento da China no segundo trimestre e elevou a estimativa de inflação para 2026, refletindo os desafios impostos pela instabilidade geopolítica.

Resiliência e desafios da China frente à crise

A China possui algumas vantagens para lidar com a alta dos preços do petróleo, como o fato de o carvão ainda representar aproximadamente 60% de sua matriz energética e o país manter estoques elevados de petróleo. No entanto, o aumento nos preços de petróleo e gás pode elevar a inflação e interromper o período de queda nos preços ao produtor, pressionando a economia doméstica.

Questionado sobre a possibilidade de pressionar o Irã para garantir a passagem segura de navios e cargas chinesas pelo Estreito de Ormuz, o porta-voz Lin Jian reiterou que o país segue em diálogo com todas as partes e mantém o compromisso firme de reduzir as tensões, evitando especulações sobre ações unilaterais.

Em resumo, a postura da China combina um apelo diplomático vigoroso pelo cessar-fogo com uma análise realista dos riscos econômicos, posicionando Pequim como um ator chave na busca por estabilidade em um conflito com implicações globais profundas.

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