Atleta ucraniano é desclassificado das Olimpíadas de Inverno por capacete com homenagem a vítimas da guerra
O atleta ucraniano Vladislav Heraskevych foi desclassificado das Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026 após se recusar a acatar a proibição do Comitê Olímpico Internacional (COI) contra manifestações políticas nos eventos esportivos. Heraskevych, que competiria na modalidade skeleton, pretendia utilizar um capacete com imagens de compatriotas mortos na guerra contra a Rússia, gerando uma crise institucional que envolve até ameaças recebidas pelo atleta.
Conflito com o COI e ameaças de russos
Em entrevista coletiva realizada na sexta-feira (13), Heraskevych revelou que recebeu ameaças de russos por conta de seu capacete memorial e acusou o COI de "escalar" a situação. O atleta compareceu a um hotel em Milão onde a Corte Arbitral do Esporte, órgão máximo do esporte mundial, deve emitir uma decisão sobre sua possível reintegração aos Jogos.
O COI emitiu um comunicado afirmando que Heraskevych "não poderá participar" das Olimpíadas "após se recusar a cumprir as diretrizes sobre a expressão dos atletas". Na terça-feira (10), como medida excepcional, o comitê havia sugerido que o atleta usasse uma braçadeira preta no lugar do capacete com imagens, proposta que foi rejeitada.
Posição firme do atleta e reações políticas
"Esta manhã, em sua chegada às instalações da competição, Heraskevych se reuniu com a presidente do COI, Kirsty Coventry, que explicou pela última vez a posição do comitê. Como nas reuniões anteriores, ele se recusou a mudar a sua postura", detalhou o COI em nota oficial. Diante da negativa, os juízes da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton decidiram pela desclassificação com base no regulamento que proíbe equipamentos fora do padrão aprovado.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu duramente à decisão: "O esporte não deveria significar amnésia, e o movimento olímpico deveria ajudar a acabar com as guerras, não fazer o jogo dos agressores". Em publicação no X, Zelensky elogiou a iniciativa do atleta, explicando que o capacete trazia rostos de atletas ucranianos assassinados pela Rússia, incluindo o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev.
Defesa pública e críticas ao COI
Nas redes sociais, Heraskevych defendeu sua posição com a frase: "Este é o preço da nossa dignidade". O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, também criticou o comitê olímpico: "O COI vetou não apenas o atleta ucraniano, e sim a sua própria reputação. As gerações futuras vão citar isto como um momento de vergonha".
O atleta havia participado dos treinos na segunda e quarta-feira usando o "capacete memorial", como foi denominado por sua equipe - um modelo cinza com imagens de esportistas ucranianos mortos no conflito. A Corte Arbitral do Esporte agora tem a palavra final sobre este caso emblemático que mistura esporte, política e memória histórica.



