Argentina aprova redução da maioridade penal para 14 anos em crimes graves
Argentina reduz maioridade penal para 14 anos em crimes graves

Argentina avança na redução da maioridade penal para 14 anos em crimes graves

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, um projeto de lei do governo do presidente Javier Milei que reduz significativamente a maioridade penal no país. A medida, que recebeu 149 votos favoráveis contra 100 contrários, baixa de 16 para 14 anos a idade mínima para responsabilização penal em casos de crimes graves, como homicídio, abuso sexual e sequestro.

Defesa presidencial e mudanças no regime penal

Após a aprovação na Câmara, o presidente Javier Milei manifestou-se publicamente em sua conta no X, antigo Twitter, defendendo a medida. "Um cidadão de 14 anos que participa de um delito compreende a gravidade de seus atos", escreveu o mandatário argentino. "Sustentar o contrário é subestimar a sociedade e abandonar suas vítimas", completou em sua publicação.

O projeto altera o regime penal juvenil em vigor desde 1980 no país, estabelecendo pena máxima de até 15 anos de prisão para adolescentes que cometam crimes graves. A legislação apresenta importantes salvaguardas:

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  • Exclui a possibilidade de prisão perpétua para menores
  • Proíbe prisão para penas inferiores a três anos
  • Determina que menores condenados não poderão cumprir pena em unidades junto com adultos

Investimento e críticas da oposição

O projeto também prevê ações de ressocialização e destina mais de 23 bilhões de pesos argentinos (cerca de 85,9 milhões de reais) para financiar a implementação do novo sistema penal juvenil. Esta verba significativa tem como objetivo adequar as unidades de detenção e desenvolver programas específicos para adolescentes infratores.

A oposição ao governo Milei, no entanto, criticou a tramitação acelerada do projeto e questionou tanto o orçamento previsto quanto o prazo estabelecido para adequar as unidades de detenção. Parlamentares de partidos opositores argumentaram que a discussão necessitaria de mais tempo e análise técnica aprofundada.

Contexto histórico e casos recentes

A reforma teve como base um texto apresentado em julho de 2024. A versão inicial do governo previa fixar a maioridade penal em 13 anos, mas a proposta foi ajustada para 14 após intensas negociações com aliados políticos. Pelo regime atual, menores de 16 anos são considerados inimputáveis na Argentina, enquanto entre 16 e 18 anos a responsabilização é aplicada de forma limitada dentro de um regime especial.

A aprovação do projeto ocorre em meio a casos recentes de crimes envolvendo adolescentes que ganharam ampla repercussão no país. O episódio mais marcante foi registrado em dezembro do ano passado, na província de Santa Fé, quando dois adolescentes de 14 e 15 anos atacaram e mataram a facadas um jovem de 15 anos, identificado como Jeremías Monzón. O crime ocorreu após uma emboscada em um armazém abandonado com a ajuda de uma garota de 16 anos, única detida pelo ocorrido.

Mobilização social e alinhamento regional

Na quarta-feira anterior à votação, os pais da vítima Jeremías Monzón e outros parentes de afetados por delitos cometidos por menores de idade reuniram-se em frente ao Congresso argentino para defender a aprovação do projeto que reduz a maioridade penal. A manifestação refletiu o clima de tensão social em torno do tema da segurança pública e da responsabilização de adolescentes.

Com a mudança, a Argentina passará a adotar uma idade penal semelhante à da maioria das nações sul-americanas, onde a maioridade penal costuma ser estabelecida em 14 anos. O projeto agora segue para análise e votação no Senado argentino, onde deverá enfrentar novos debates antes de eventualmente se tornar lei.

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