Celso Amorim critica Conselho da Paz de Trump: 'Não tem futuro', diz assessor
Amorim diz que Conselho da Paz de Trump 'não tem futuro'

Celso Amorim avalia Conselho da Paz de Trump como iniciativa sem futuro

O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, declarou à coluna que o Conselho da Paz, criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, "não tem futuro". A afirmação foi feita em entrevista exclusiva, onde Amorim analisou as perspectivas da iniciativa norte-americana.

Contexto e objetivo do Conselho da Paz

O plano de Donald Trump é utilizar o órgão recém-criado para a reconstrução da Faixa de Gaza, após o cessar-fogo estabelecido com Israel. O presidente americano convidou o Brasil para participar da iniciativa, mas a tendência, segundo fontes governamentais, é de que o governo federal não embarque nesse projeto, embora essa decisão ainda não tenha sido oficializada publicamente.

Recusas de países relevantes impactam viabilidade

Para Celso Amorim, a recusa de nações consideradas relevantes no cenário internacional demonstra que o plano não deve prosperar. Entre os países que já declinaram do convite estão:

  • Canadá
  • Espanha
  • Suécia

Essas nações, segundo o assessor, possuem peso político e diplomático significativo, e suas ausências comprometem a credibilidade e eficácia do conselho. Das aproximadamente 60 nações convidadas por Trump, cerca de metade aceitou participar, sendo a maioria formada por aliados tradicionais do presidente americano, o que limita a diversidade e representatividade do grupo.

Análise de Amorim sobre o cenário internacional

Em sua avaliação, Celso Amorim destacou que a falta de adesão de potências médias e atores globais chave indica um isolamento relativo da proposta. Ele argumentou que, sem o apoio de países com influência em fóruns como a ONU e outras organizações multilaterais, o Conselho da Paz enfrentará dificuldades para implementar ações concretas na reconstrução de Gaza.

O assessor especial enfatizou que a iniciativa parece mais um gesto simbólico do que um mecanismo eficaz para resolver conflitos, especialmente considerando as complexidades envolvidas no processo de paz entre Israel e Palestina. A postura do governo brasileiro, alinhada com a visão de Amorim, reflete uma cautela diplomática em relação a projetos unilaterais que não contam com amplo consenso internacional.