Acordo nuclear EUA-Arábia Saudita pode permitir enriquecimento de urânio no reino
Acordo nuclear EUA-Arábia Saudita pode permitir enriquecimento de urânio

Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita pode incluir enriquecimento de urânio no reino

Documentos do Congresso americano e informações de uma organização de controle de armas revelam que as negociações nucleares entre Estados Unidos e Arábia Saudita podem permitir algum tipo de enriquecimento de urânio em território saudita. Esta possibilidade levanta sérias preocupações sobre proliferação nuclear no já tenso cenário do Oriente Médio, especialmente diante do impasse atômico entre Irã e Estados Unidos.

Preocupações com proliferação nuclear

Especialistas em não proliferação alertam que a operação de enriquecimento em solo saudita poderia abrir caminho para um eventual programa de armas nucleares. Esta preocupação ganha força com declarações anteriores do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que já sugeriu que a Arábia Saudita buscaria uma bomba atômica caso o Irã obtivesse tal armamento.

Kelsey Davenport, diretora de política de não proliferação da Arms Control Association, sediada em Washington, expressou preocupações específicas: "Os documentos levantam preocupações de que o governo Trump não tenha considerado cuidadosamente os riscos de proliferação representados pelo acordo proposto com a Arábia Saudita nem o precedente que ele pode criar."

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Detalhes do acordo em negociação

O documento do Congresso americano analisado pela Associated Press indica que o governo Trump pretende fechar 20 acordos comerciais nucleares com países ao redor do mundo, incluindo a Arábia Saudita. O contrato com o reino pode valer bilhões de dólares e, segundo o texto, "promoverá os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos".

O rascunho do acordo prevê que EUA e Arábia Saudita firmem salvaguardas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável por fiscalizar o setor nuclear. Estas salvaguardas incluiriam supervisão das áreas "mais sensíveis à proliferação", como:

  • Enriquecimento de urânio
  • Fabricação de combustível nuclear
  • Reprocessamento de material nuclear

Para Davenport, a proposta sugere que, uma vez firmado o acordo bilateral de salvaguardas, "a porta estará aberta" para que o reino adquira tecnologia ou capacidade de enriquecimento de urânio — possivelmente até dos próprios Estados Unidos.

Contexto regional tenso

As negociações avançam em meio a crescentes tensões entre Estados Unidos e Irã. O presidente Donald Trump ameaçou ação militar contra o Irã caso não haja um acordo sobre o programa nuclear iraniano, enquanto o país persa sustenta há anos que seu programa de enriquecimento tem fins pacíficos.

O Irã já enriqueceu urânio a até 60% de pureza — nível tecnicamente próximo dos 90% necessários para uso bélico —, algo inédito sem a existência declarada de um programa de armas. Diplomatas iranianos citam declarações do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, como uma fatwa (decreto religioso) que proibiria a construção de uma bomba atômica, mas autoridades têm mencionado com mais frequência a possibilidade de buscar o armamento.

Comparação com outros países da região

Os Emirados Árabes Unidos, vizinhos da Arábia Saudita, firmaram com os EUA um acordo conhecido como "123" para construir a usina nuclear de Barakah com ajuda sul-coreana. O país, porém, renunciou ao enriquecimento de urânio — modelo considerado por especialistas como o "padrão-ouro" para nações que desejam energia nuclear sem riscos de proliferação.

No ano passado, Arábia Saudita e Paquistão — país que possui armas nucleares — assinaram um pacto de defesa mútua. Na ocasião, o ministro da Defesa paquistanês afirmou que o programa nuclear de seu país "será disponibilizado" à Arábia Saudita se necessário, declaração vista como um recado a Israel, considerado há décadas o único Estado do Oriente Médio com arsenal nuclear.

A Arábia Saudita não respondeu imediatamente aos questionamentos feitos pela Associated Press sobre as negociações nucleares, enquanto a AIEA também não respondeu de imediato aos pedidos de comentário sobre as possíveis salvaguardas.

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