Em um movimento geopolítico significativo, o Canadá e a China anunciaram nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026) a assinatura de um acordo de parceria estratégica. O anúncio, feito pelos líderes dos dois países, põe fim a anos de tensões diplomáticas e estabelece novas regras comerciais que beneficiam ambos os lados.
Os principais pontos do acordo bilateral
O tratado, considerado histórico pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney, contém medidas concretas que devem impactar diretamente o comércio entre as nações. Do lado canadense, será permitida a entrada de 49 mil veículos elétricos fabricados na China anualmente, com uma taxa preferencial reduzida para apenas 6,1%.
Em contrapartida, a China, sob a liderança do presidente Xi Jinping, se comprometeu a uma drástica redução nas tarifas de importação sobre produtos derivados de canola. A alíquota, que atualmente é de 84%, cairá para aproximadamente 15% a partir de março de 2026. Além disso, os cidadãos canadenses passam a ter acesso sem visto para visitar o território chinês.
Contexto geopolítico e a "resposta diplomática"
Para o professor e pesquisador de relações internacionais Vitelio Brustolin, o acordo vai muito além de uma simples relação comercial. Em entrevista ao Conexão Record News, Brustolin explicou que a decisão ocorre em um momento específico de tensão com os Estados Unidos.
O especialista relaciona o avanço nas negociações com as recentes declarações do ex-presidente americano Donald Trump, que afirmou ter a intenção de transformar o Canadá no "51º estado" dos EUA e se referiu a Mark Carney como "governador".
"Isso é o maior vizinho, o país que tem a maior fronteira terrestre com os Estados Unidos, dando uma resposta diplomática às provocações do Trump", afirmou Brustolin durante a entrevista.
Repercussões e movimentos futuros
O professor também mencionou a existência de uma campanha, ainda que informal, dentro da União Europeia, para que o Canadá se torne um membro do bloco europeu. Esse cenário ilustra a busca do país por novos alinhamentos e parcerias estratégicas em um mundo multipolar.
Durante a cerimônia de assinatura, o presidente Xi Jinping reforçou que o desenvolvimento saudável das relações entre China e Canadá beneficia os interesses comuns de ambos os povos. O acordo, portanto, é visto como um reequilíbrio de forças e uma reafirmação da autonomia diplomática canadense frente às pressões de seu poderoso vizinho do sul.
As novas regras comerciais, especialmente no setor de veículos elétricos e do agronegócio da canola, devem aquecer a economia e abrir mercados, marcando um novo capítulo nas relações sino-canadenses.