Pesquisa revela que 77% dos brasileiros defendem neutralidade do governo Lula na guerra do Irã
77% dos brasileiros querem neutralidade de Lula na guerra do Irã

Brasileiros manifestam posição sobre atuação do governo Lula em conflito internacional

Uma pesquisa realizada pelo instituto Genial/Quaest revelou dados significativos sobre a opinião pública brasileira em relação ao posicionamento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no conflito envolvendo o Irã, Estados Unidos e Israel. O estudo, divulgado no último sábado, 14 de março de 2026, apontou que 77% dos brasileiros defendem que o governo mantenha uma posição de neutralidade diante da guerra que se desenrola no Oriente Médio.

Detalhes da pesquisa e contexto do conflito

A pesquisa foi conduzida entre os dias 6 e 9 de março de forma presencial, com 2.004 participantes de 16 anos ou mais em todo o território nacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O conflito em questão foi desencadeado por ataques dos Estados Unidos e Israel ao território iraniano em 28 de fevereiro, após o fracasso das negociações nucleares que vinham sendo conduzidas entre as partes.

O levantamento mostrou ainda que apenas 14% dos entrevistados acreditam que o Brasil deveria apoiar os Estados Unidos e Israel, enquanto apenas 2% defenderam que o país deveria ficar ao lado do Irã. Outros 7% dos participantes não souberam responder à questão. A grande maioria dos brasileiros, correspondente a 81%, manifestou medo de que o conflito se espalhe pelo mundo, enquanto 18% indicaram que não compartilham dessa preocupação.

Posicionamento oficial do governo brasileiro

No mesmo dia dos ataques iniciais, 28 de fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro emitiu uma nota oficial condenando os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O governo brasileiro defendeu a continuação das negociações diplomáticas e apelou "a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção", com o objetivo de evitar a escalada de hostilidades e assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.

Evolução do conflito e suas consequências

O conflito, que já entrou na terceira semana, resultou em mais de 2 mil mortos de 12 países diferentes. Os Estados Unidos e Israel lançaram no final de fevereiro a primeira rodada de ataques mirando infraestrutura de mísseis, instalações militares e lideranças na capital Teerã e em todo o território iraniano, resultando na morte do então líder supremo Ali Khamenei, que governava o país desde 1989.

Na quarta-feira, 11 de março, após ataques retaliatórios iranianos, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a ofensiva militar conjunta contra o Irã durará "o tempo que for necessário". Em declaração oficial, Katz destacou: "Esta operação continuará indefinidamente, pelo tempo que for necessário, até que alcancemos todos os nossos objetivos e determinemos o resultado da campanha".

Tensões regionais e impactos econômicos

O momento atual é marcado por grande tensão, com a campanha de retaliação do Irã contra Israel e nações aliadas dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, onde o foco passou a ser as infraestruturas de petróleo dos grandes exportadores da região. Paralelamente, Teerã emitiu uma declaração afirmando que qualquer navio cuja carga de petróleo ou a própria embarcação pertença aos EUA, Israel ou a seus aliados "hostis" que atravessar o Estreito de Ormuz será considerado um alvo "legítimo".

Segundo comunicado das Forças Armadas iranianas, elas "não permitirão que nem um único litro de petróleo transite" pela rota estratégica. Em uma tentativa de conter a alta dos preços do petróleo no mercado internacional, a Agência Internacional de Energia anunciou que seus países-membros liberariam 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, um volume recorde na história da organização.

A pesquisa da Genial/Quaest oferece um retrato claro da opinião pública brasileira em um momento de crescente tensão internacional, destacando o forte apoio à posição de neutralidade defendida pelo governo Lula diante de um conflito com implicações globais significativas.