Enquanto a opinião pública nos Estados Unidos se mostra dividida, os países da América Latina têm uma posição majoritariamente clara sobre a recente intervenção militar que resultou na captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro. Uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel e divulgada nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, revela que 60,1% dos latino-americanos aprovam a operação conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano.
Aprovação regional e rejeição ao regime
Os números vão além do simples apoio à ação militar. Eles refletem um profundo rechaço ao regime chavista na região. Para 73,2% dos entrevistados em toda a América Latina, a responsabilidade pela grave crise humanitária que forçou o êxodo de mais de 8 milhões de venezuelanos é de Nicolás Maduro. Além disso, 63,6% acreditam que o ex-líder deveria ser preso, e uma expressiva maioria de 74,2% concorda que a Venezuela está em uma situação melhor sem ele no poder.
O apoio à intervenção americana é particularmente alto no Caribe e em nações que receberam grande número de refugiados, como Peru, Equador, Bolívia e Colômbia. A operação, que incluiu bombardeios em Caracas no dia 3 de janeiro e culminou com a captura de Maduro antes que ele e sua esposa, Cilia Flores, conseguissem chegar a um bunker, é vista por 54,9% dos latino-americanos como um passo para o restabelecimento da democracia no país.
Brasil: o país mais dividido
Dentro do cenário regional, o Brasil se destaca como a nação mais polarizada em relação ao tema. Embora 58% dos brasileiros vejam com bons olhos a ação que levou à prisão do autocrata, uma fatia significativa de 41% desaprova a medida. Essa divisão se reflete também na avaliação da postura do governo federal.
De acordo com a AtlasIntel, 57% dos brasileiros rejeitam o posicionamento adotado pela administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que manifestou discordância da operação. Apenas 42% concordam com a postura do Planalto. Para 55% dos entrevistados no Brasil, Lula não está verdadeiramente comprometido com a missão de levar liberdade à Venezuela.
A visão dentro da Venezuela
O estudo também investigou a opinião da população diretamente afetada: os venezuelanos. Dentro do país, quase metade (46,7%) apoia a prisão de Maduro realizada pelos Estados Unidos, que se baseou em acusações de envolvimento com narcotráfico. Esse índice salta para impressionantes 90,8% quando se considera a diáspora venezuelana espalhada pelo mundo.
O medo, no entanto, ainda silencia parte da população. Um número significativo de venezuelanos (27,9%) optou por responder "não sei" quando questionado sobre o tema. Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, explica que esse alto índice está diretamente ligado ao temor – tanto em relação ao futuro incerto pós-intervenção quanto à repressão do regime chavista, que se intensificou após a queda de seu principal líder.
A realidade atual do país é retratada em números contundentes: apenas 18% dos venezuelanos acreditam viver em uma democracia, e só 12% pensam que a nação estaria melhor com Maduro no comando. Para 78,6% dos latino-americanos, a Venezuela é, sem dúvida, uma ditadura.
Questões controversas e a soberania
A pesquisa abordou ainda temas mais delicados relacionados à operação. Sobre as acusações de tráfico de drogas contra Maduro e figuras de seu círculo íntimo, 57,5% dos latino-americanos as consideram justificadas. Por outro lado, as declarações do ex-presidente americano Donald Trump, que citou os interesses comerciais e o acesso ao petróleo venezuelano como objetivos da ação, receberam menos apoio.
O tema da soberania nacional também dividiu as opiniões. Para 45,4% dos entrevistados, não houve violação da soberania da Venezuela porque a verdadeira soberania do país só pode ser afirmada com a derrubada do regime ditatorial. Outros 37,8% defendem que qualquer violação da soberania de um país, independentemente do motivo, deve ser condenada.
Os dados da AtlasIntel pintam um retrato claro de uma região que, majoritariamente, enxerga a queda de Nicolás Maduro como um evento necessário, ainda que as opiniões sobre os métodos e as consequências de longo prazo permaneçam em debate, especialmente em nações polarizadas como o Brasil.