Cuba recebe corpos de 32 soldados mortos por EUA na Venezuela
32 soldados cubanos mortos em operação dos EUA na Venezuela

O governo cubano realizou, nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, uma solene cerimônia para receber os restos mortais de 32 soldados que perderam a vida durante a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela. A ação resultou na queda e prisão do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Cerimônia de luto e desafio em Havana

Os caixões, cobertos pela bandeira cubana, foram recebidos na pista de pouso com honras militares. Uma banda, com integrantes vestindo uniformes brancos, executou o hino nacional. A cerimônia contou com a presença de altas autoridades, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel e o ex-presidente Raúl Castro, demonstrando a importância do evento para o regime.

Posteriormente, um cortejo fúnebre transportou os corpos até o Ministério das Forças Armadas, percorrendo uma das principais avenidas da capital. O trajeto foi acompanhado por milhares de cidadãos que prestaram suas últimas homenagens aos militares, agora declarados "heróis" pelo governo cubano.

Detalhes da operação e reações

Os soldados cubanos integravam o esquema de segurança do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro. Ainda não foi divulgado oficialmente quantos agentes estavam de guarda no momento exato em que as forças especiais americanas invadiram o complexo militar onde Maduro e sua esposa, Cilia Flores, dormiam. O casal agora responde a acusações de "narcoterrorismo" perante a justiça dos Estados Unidos.

Durante a cerimônia, o general Lazaro Alberto Alvarez proferiu um discurso de tom desafiador. "Se este doloroso capítulo da história demonstrou alguma coisa, é que o imperialismo pode possuir as armas mais sofisticadas, impor imensa riqueza material, comprar as mentes dos indecisos, mas há uma coisa que ele jamais poderá comprar: a dignidade do povo cubano", afirmou.

Tensão geopolítica e ameaças de Washington

O episódio acirrou as já deterioradas relações entre Havana e Washington. Após a captura de Maduro, o presidente americano, Donald Trump, sugeriu que Cuba estaria em uma posição extremamente frágil. Ele destacou a histórica dependência da ilha do petróleo venezuelano, que agora está sob controle dos Estados Unidos após a operação.

"Não sei se eles vão resistir, mas Cuba agora não tem renda", declarou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, no dia 12 de janeiro.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, reforçou a pressão. Em entrevista à rede NBC, afirmou que Havana está "em maus lençóis, sim", e deixou claro que o governo americano não é "fã do regime cubano", sem detalhar os próximos passos da política externa em relação à ilha.

Em resposta direta, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, já havia rejeitado publicamente, no último domingo, 11 de janeiro, qualquer exigência de Trump por um acordo entre os países. "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém dita o que fazemos", bradou Díaz-Canel, acrescentando: "Cuba não ataca; tem sido atacada pelos EUA durante 66 anos, e não ameaça; prepara-se, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue."

O clima é de máxima tensão, com o futuro das relações bilaterais e a estabilidade política da região envoltos em grande incerteza. O repatriamento dos corpos marca não apenas um momento de luto nacional em Cuba, mas também um novo e perigoso capítulo no longo conflito histórico com os Estados Unidos.