O deputado federal Ricardo Salles (Novo) declarou na quarta-feira (6) que não abrirá mão de sua candidatura ao Senado Federal por São Paulo para apoiar André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A decisão ocorre em meio à disputa com a família Bolsonaro pelo eleitorado de direita no estado.
André do Prado foi escolhido pelos Bolsonaro e pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como o segundo nome da direita para as duas vagas de senador. O primeiro já é o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP). Salles rebateu as críticas de Eduardo Bolsonaro, que alertou para o risco de a direita perder as cadeiras para a esquerda, já que a candidatura de Salles dividiria os votos bolsonaristas.
Declarações de Salles
Em uma live nas redes sociais, Salles afirmou: "Eu para o André do Prado, pupilo do Valdemar [Costa Neto, presidente nacional do PL], não abro mão de jeito nenhum [da minha candidatura ao Senado]. Porque ele é Centrão. Nunca foi, jamais será de direita. Candidato de direita tem que ter história na direita. E ele não tem nenhuma."
Para Salles, a candidatura de Prado ameaça o projeto da direita. "O risco de perder duas vagas para a esquerda é justamente lançar alguém que é próximo da esquerda. [André do Prado] Se elegeu presidente da Assembleia com o voto do PT. É o Centrão ideológico, corrupto e fisiologista. Não é direita, nunca foi e jamais será", disse.
O g1 procurou André do Prado para comentar as declarações, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Proposta de substituição
Salles afirmou que só abriria mão de sua candidatura pelo Novo se o escolhido para a segunda vaga fosse o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL). "Vocês retiram a candidatura do André do Prado e colocam o Mello Araújo. Se vocês colocarem ele, eu abro mão da minha candidatura. E fica só o Derrite e ele. Vamos ver se vocês querem realmente prestigiar a direita ou se é jogada do Valdemar", sentenciou.
O deputado do Novo ainda criticou o Centrão, afirmando que "é pior que a esquerda" e "toma dinheiro, verba e emenda de todo mundo". "Eu não sou incontrolável, nem queimo a largada, Eduardo. É que eu não me vendo para Centrão, não negocio com gente corrupta e fisiológica. Não quero conversa com essa gente. O Centrão é pior que a esquerda, que se finge de direita quando convém e depois vota com a esquerda quando convém", declarou.
Disputa pela esquerda
Do outro lado do espectro político, a segunda vaga ao Senado ainda está indefinida entre os partidos aliados ao ex-ministro Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo paulista. A ex-ministra Simone Tebet (PSB) já teve seu nome anunciado, mas o segundo nome pode ser da também ex-ministra Marina Silva (Rede) ou de Márcio França (PSB), que já aceitou ser suplente de Marina. Os três aparecem na frente nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, ao lado de Derrite, segundo a pesquisa Quaest mais recente.



