O 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado na semana passada, tinha como um de seus objetivos apresentar à militância o novo marqueteiro da campanha do presidente Lula, Raul Rabelo. No entanto, o que era para ser uma apresentação de uma peça publicitária contra o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acabou gerando uma crise inesperada para os petistas.
Vazamento da peça publicitária
O PT exibiu um vídeo que associa o senador Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master, instituição financeira que está no centro de investigações por suspeitas de irregularidades. A peça, produzida por Raul Rabelo, publicitário baiano e sócio de Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), chama Flávio de "filho mais corrupto de Bolsonaro" e sugere que ele comprou uma mansão em Brasília com dinheiro desviado do banco.
O vídeo também menciona que Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, doou R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. A expressão "bolsomaster" é usada para se referir ao suposto esquema.
Estratégia controversa
A direção do PT planejava que o vídeo fosse exibido apenas para a militância, mas a presença de uma jornalista no evento resultou no vazamento do conteúdo. O ocorrido desagradou os petistas, pois antecipou um debate que não era esperado para aquele momento. O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) já enviou um pedido à Procuradoria-Geral da República para que investigue o PT por suposta difusão de notícias falsas. Aliados de Flávio Bolsonaro acusam o partido de tentar manchar a imagem do senador com informações incorretas.
Repercussão e consequências
O vazamento gerou forte repercussão nas redes sociais e na imprensa, colocando o PT na defensiva. A estratégia de associar Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master, que segundo pesquisas está tecnicamente empatado com Lula nas intenções de voto, pode ter sido prejudicada pela exposição precoce. O partido agora tenta conter os danos, enquanto a oposição aproveita o episódio para criticar a campanha petista.
Raul Rabelo, escolhido para ser o marqueteiro de Lula, é sócio de Sidônio Palmeira nas agências Leiaute e Nordx. Sua estreia na campanha, marcada por essa polêmica, levanta questionamentos sobre a eficácia das estratégias de comunicação do PT para as eleições deste ano.



