Polícia mira Oruam e família em operação contra braço financeiro do CV
Operação policial mira Oruam e família por lavagem de dinheiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (29), uma operação que tem como alvos o rapper Oruam e sua família: o pai, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, a mãe, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, e o irmão, Lucas Santos Nepomuceno. A ação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), visa desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país.

Foragido desde fevereiro

Oruam está foragido desde fevereiro, após violar as condições do uso de tornozeleira eletrônica, conforme determinação da Justiça estadual. O advogado do rapper, Fernando Henrique Cardoso, informou que se pronunciará somente após ter acesso ao processo. A operação também busca suspeitos de liderar o Comando Vermelho. Até as 9h, um homem apontado como operador financeiro da facção já havia sido preso.

Cumprimento de mandados

Os mandados estão sendo cumpridos em endereços ligados aos investigados nos bairros de Jacarepaguá e Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio. Agentes também estão em uma casa de Oruam, localizada em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. O rapper foi preso em julho de 2025, após se tornar réu por tentativa de homicídio contra o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz, da Polícia Civil do Rio. Ele passou 69 dias na prisão e deixou o local usando uma máscara do Homem-Aranha.

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Violacões da tornozeleira

Ao deixar a prisão, em 30 de setembro do ano passado, Oruam passou a usar tornozeleira eletrônica. Desde então, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, o equipamento registrou 66 violações, todas atribuídas à falta de carregamento da bateria. O advogado de Márcia, Flávio Fernandes, informou que está na Cidade da Polícia para entender as novas acusações. Márcia já havia sido absolvida em um processo semelhante, no qual era acusada de servir como elo entre o marido, Marcinho VP, que cumpre pena em um presídio federal, e traficantes de uma facção criminosa.

Histórico judicial

No início deste mês, a Justiça determinou o recolhimento de outro mandado de prisão expedido com base nas mesmas acusações. Na ocasião, a defesa sustentou a ilegalidade do pedido, destacando a ausência de novas provas e o fato de as acusações já terem sido analisadas em julgamento anterior. Em novembro de 2025, a Justiça do Rio decidiu manter Marcinho VP, 55, por mais três anos no sistema de presídios federal. Segundo a polícia, ele é líder máximo do Comando Vermelho e considerado de alta periculosidade. Sua prisão ocorreu em setembro de 1996, sob acusação de comandar o tráfico no Complexo do Alemão, na zona norte, e possui condenações que somam 55 anos e oito meses de reclusão.

Defesa e investigação

A advogada Flávia Froes, que atua na defesa de Marcinho VP, afirmou que enviará uma nota a respeito da operação. A polícia não divulgou se Lucas, irmão do rapper, já constituiu advogado. Segundo a polícia, a operação é fruto de cerca de um ano de investigações, período em que os policiais identificaram e mapearam o funcionamento da estrutura financeira da organização criminosa. O trabalho se baseou na análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos, além do cruzamento de informações telemáticas e movimentações financeiras.

Esquema de lavagem de dinheiro

De acordo com a investigação, o grupo mantinha um esquema organizado para receber, fragmentar e reinserir no mercado formal recursos provenientes do tráfico de drogas. Esses valores eram distribuídos por lideranças da facção a operadores financeiros, responsáveis por pulverizar o dinheiro em contas de terceiros, além de utilizá-lo para pagamento de despesas, aquisição de bens e ocultação de patrimônio. Os investigadores também identificaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos, o que reforça a suspeita de origem ilícita dos recursos. Foi constatada ainda a atuação coordenada de diversos integrantes, incluindo intermediários que realizavam transações sucessivas para dificultar o rastreamento do dinheiro.

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Diálogos com miliciano

Durante a investigação, foram encontrados diálogos entre Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal e apontado como uma das principais lideranças da facção, e um miliciano. As conversas indicariam, segundo a polícia, a influência contínua de Marcinho VP como liderança central do grupo. A polícia ainda apura a participação de possíveis envolvidos, como empresas utilizadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos dos recursos.

Lista dos procurados

  • Carlos Alexandre Martins da Silva - apontado como operador financeiro do CV, preso nesta quarta;
  • Ederson José Gonçalves Leite, o Sam da CDD - apontado como liderança do CV;
  • Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso - apontado como liderança do CV;
  • Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D - apontado como liderança do CV;
  • Jeferson Lima Assim - procurado nesta quarta;
  • Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca - irmão de Oruam;
  • Luciano Martiniano da Silva, o Pezão - apontado como liderança do CV;
  • Luiz Paulo Silva de Souza - apontado como operador financeiro do CV;
  • Márcia Gama dos Santos Nepomuceno - mulher de Marcinho VP e mãe de Lucca e Oruam;
  • Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP - apontado como líder do CV, cumpre pena em presídio federal;
  • Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam - rapper, filho de Marcinho VP;
  • Wilton Rabello Quintanilha, o Abelha - apontado como liderança do CV.