Romeu Zema ataca STF e chama corte de 'pior Supremo da história' em entrevista
Zema ataca STF e chama corte de 'pior Supremo da história'

Ex-governador de Minas Gerais dispara críticas contundentes à mais alta corte do país

O presidenciável do partido Novo e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, realizou duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (22), classificando a corte como o "pior Supremo da história" do Brasil. Em entrevista coletiva realizada ao lado de deputados de oposição na Câmara dos Deputados, em Brasília, o político mineiro não poupou palavras para expressar seu descontentamento com a atual composição do tribunal.

Supremo como "incendiário" em vez de "bombeiro"

"O Supremo, no passado, era a instituição em que o Brasil se apoiava para resolver suas crises. O Supremo era o bombeiro do Brasil. Agora é o contrário: o Supremo é o incendiário do Brasil. É o bombeiro que chega jogando gasolina, só agravando a situação", afirmou Zema com veemência. A declaração do presidenciável surge como resposta direta ao pedido do ministro Gilmar Mendes para que o colega Alexandre de Moraes inclua o ex-governador mineiro no inquérito das fake news.

A motivação para essa solicitação judicial está relacionada a um vídeo divulgado por Zema no mês passado e republicado na segunda-feira (20). No material audiovisual, um boneco que imita Gilmar Mendes conversa sobre o caso Master com outro que representa o ministro Dias Toffoli. Após a colunista Mônica Bergamo noticiar o pedido de Gilmar, Zema voltou a compartilhar o conteúdo, gerando nova polêmica.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Defesa da liberdade de expressão e críticas à democracia

"Nós estamos vendo um atentado à democracia. Não se pode mais fazer caricatura, ser irônico. [...] Estou sendo tolhido da minha liberdade de expressão. Será que não podemos mais fazer esse tipo de coisa? Isso não pode ser feito, pelo que eu sei, na Coreia do Norte, em Cuba, em alguns regimes totalmente autoritários. Parece que estamos correndo risco neste momento de caminharmos nesse sentido", argumentou o ex-governador mineiro durante a entrevista.

Zema foi além e afirmou que os ministros do STF, a quem se refere como "intocáveis", serão "substituídos por brasileiros de bem". O presidenciável apresentou uma série de propostas para reformar a corte, visando estancar o que chamou de "podridão", em referência à relação dos ministros Toffoli e Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Master.

Propostas de reforma do Supremo Tribunal Federal

Entre as medidas sugeridas por Romeu Zema para modificar o funcionamento do STF, destacam-se:

  1. Exigir que os indicados para ministros tenham mais de 60 anos de idade
  2. Eliminar completamente as decisões monocráticas
  3. Determinar que a abertura de processos de impeachment contra ministros dependa apenas da maioria do Senado Federal

"Não ficar dependendo de presidente omisso que tem o rabo preso", completou Zema, fazendo referência ao senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O ex-governador também defendeu mudanças no processo de indicação de ministros, que atualmente fica totalmente a cargo do presidente da República.

"Queremos também aprimorar que não seja só o presidente participando dessa indicação, que haja também participação do Supremo Tribunal de Justiça, da Procuradoria-Geral da República, da OAB. É um cargo muito importante para uma pessoa só decidir. [...] Eu, como governador do estado, nomeei magistrados para o cargo de desembargador. Eu recebi uma lista tríplice, que já vinha filtrada", explicou o político mineiro.

Críticas a Lula e outros ex-presidentes

Durante a entrevista, Zema não poupou críticas ao presidente Lula (PT), seu adversário na eleição presidencial, pelas indicações realizadas ao STF durante seus mandatos. Quando lembrado que Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes foram indicados, respectivamente, por Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, o presidenciável reconheceu: "não foi só Lula que errou, talvez outros erraram".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Especulações sobre alianças políticas

Na coletiva realizada com deputados do PL e do Novo, surgiram brincadeiras sobre a possibilidade de Zema ser candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) ou vice-versa. O mineiro afirmou que levará sua candidatura até o final, mas aliados políticos consideram provável uma coligação com o senador.

"Até hoje não teve pedido formal de ninguém pra ninguém, mas eu tenho certeza de que a direita tem bons candidatos e nós estaremos todos juntos no segundo turno", declarou Zema, mantendo a porta aberta para possíveis alianças eleitorais.

Reação da oposição no Congresso Nacional

Como revelado pelo Painel, deputados de oposição decidiram apresentar um novo pedido de impeachment contra Gilmar Mendes em reação à medida judicial contra Zema. Os parlamentares também planejam levar uma notícia-crime contra o ministro à Procuradoria-Geral da República e uma manifestação formal ao ministro Edson Fachin, atual presidente do STF.

Questionado sobre a falta de êxito em pedidos de impeachment anteriores contra ministros do Supremo, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), admitiu que não há maioria no Senado para instaurar um processo. "A gente não tem maioria do Senado Federal, como é de conhecimento de todos, mas a cada dia que passa, a situação dos ministros da Suprema Corte piora. [...] O desgaste bate recorde. Então, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Quantos pedidos de impeachment forem necessários apresentar, nós iremos apresentar", afirmou o deputado.

O parlamentar ainda ressaltou que as ações não representam "nenhum tipo de ataque à instituição STF", mas sim denúncias graves direcionadas especificamente a alguns ministros da corte. O clima de tensão entre o poder político e o Judiciário continua a se intensificar no cenário nacional, com repercussões diretas no processo eleitoral em curso.