Governador do Rio renuncia antes de julgamento do TSE que pode torná-lo inelegível
Governador do Rio renuncia antes de julgamento do TSE

Governador do Rio de Janeiro renuncia ao cargo um dia antes de decisão crucial do TSE

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do Partido Liberal (PL), oficializou sua renúncia na noite desta segunda-feira (23), encerrando um mandato de quase seis anos à frente do estado. O anúncio foi feito durante uma reunião no Palácio Guanabara, onde recebeu secretários, deputados e aliados políticos para um discurso de despedida.

Em suas palavras, Castro afirmou: "Hoje, eu encerro o meu tempo à frente do governo do estado. Vou em busca de novos projetos. Muitas coisas foram feitas. Outras, também, talvez, em um processo de reflexão, de análise, poderíamos ter feito. Mas eu não tenho dúvidas que fica um tempo de gratidão". O político destacou que deixa o comando para concorrer a uma vaga no Senado Federal, seguindo a exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de afastamento do cargo pelo menos seis meses antes das eleições.

Julgamento do TSE pode barrar candidatura de Castro

Contudo, a candidatura de Cláudio Castro não está garantida. Nesta terça-feira (24), o TSE retoma um julgamento que decidirá se ele poderá ou não disputar as eleições. O caso envolve denúncias sobre o Centro Estadual de Estatísticas e Pesquisas (Ceperj), onde cerca de 27 mil servidores temporários teriam sido contratados e atuado como cabos eleitorais do grupo político de Castro nas eleições de 2022.

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Setes ministros do tribunal analisam pedidos de inelegibilidade e cassação do governador e do presidente afastado da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, do União Brasil. Até o momento, dois ministros já votaram pela condenação, aumentando a pressão sobre o desfecho do processo.

Sucessão no governo do Rio segue cenário complexo

Com a renúncia de Castro, a cadeira do governo não será ocupada pelo vice, Thiago Pampolha, que renunciou em 2025 para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. A opção seguinte seria o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, mas ele está afastado da presidência por suspeitas de envolvimento com o Comando Vermelho, acusações que nega.

Diante desse impasse, assume interinamente o governo o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto de Castro. Ele tem até 48 horas para convocar uma eleição indireta, que deve ocorrer dentro de um mês. Nesse processo, os 70 deputados estaduais elegerão o novo governador em um mandato-tampão, válido apenas até o início de janeiro de 2027.

Novas regras para eleição indireta alteram disputa

Recentemente, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), modificou as regras dessa eleição indireta. As mudanças incluem:

  • Voto secreto dos deputados estaduais
  • Impedimento de candidatura para quem ocupou cargo no Executivo nos últimos seis meses antes do pleito

A decisão, em caráter liminar, ainda pode ser revertida pelo próprio ministro ou pelo plenário do STF, adicionando mais incerteza ao cenário político fluminense. Qualquer brasileiro com mais de 30 anos, domicílio no estado e filiação partidária pode concorrer, mas as novas regras podem limitar as opções disponíveis.

O episódio marca um momento de transição crítica no Rio de Janeiro, com implicações diretas para a estabilidade política e administrativa do estado nos próximos meses.

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