Deputado Gil Diniz adota sobrenome Bolsonaro e critica Tarcísio em discurso na Alesp
Gil Diniz adota sobrenome Bolsonaro e critica Tarcísio na Alesp

Deputado Gil Diniz adota sobrenome Bolsonaro e critica Tarcísio em discurso na Alesp

Em um discurso inflamado no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta terça-feira (3), o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP), cotado para a disputa ao Senado nas próximas eleições, adotou o sobrenome do clã Bolsonaro, defendeu a pretensão presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e provocou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Provocação ao governador Tarcísio

Gil Diniz, um dos aliados mais próximos de Eduardo Bolsonaro, ironizou uma declaração recente de Tarcísio de Freitas, na qual o governador afirmou que seria positivo mais de um quadro de direita se lançar à Presidência da República, pois todos se uniriam contra o presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno.

"Essa mesma lógica vale para o Governo de São Paulo?", questionou o deputado. "Porque se vale para o Governo de São Paulo, vale a pena o Partido Liberal ter um candidato também, porque ajuda a chapa de deputado estadual, ajuda a chapa de deputado federal. O Partido Liberal é o maior partido do estado de São Paulo e o maior partido do Brasil", argumentou Gil Diniz durante sua fala.

O PL atualmente negocia a vice na chapa de Tarcísio em São Paulo, com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, defendendo que o posto seja ocupado pelo presidente da Alesp, o deputado André do Prado, seu afilhado político.

Contexto da declaração de Tarcísio

A declaração de Tarcísio sobre a união no segundo turno ocorreu na quinta-feira (29), após ele ter visitado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no batalhão da PM do Distrito Federal conhecido como Papudinha. Segundo o governador, o próprio Bolsonaro teria visto com bons olhos a filiação do governador Ronaldo Caiado (GO) ao PSD, acrescentando que todos estariam juntos contra Lula.

A união contra a reeleição do petista, ainda que na reta final das eleições, tem sido pregada por líderes de partidos da direita e centro-direita. No entanto, Gil Diniz integra um grupo de bolsonaristas que tem criticado apoio a qualquer candidatura presidencial que não a de Flávio Bolsonaro.

Postura crítica em relação a Tarcísio

Apesar de integrar a base do governo paulista na Alesp, Gil Diniz apresenta uma postura crítica em relação a Tarcísio e cobra publicamente acenos do governador ao bolsonarismo. Em sua fala no plenário, o deputado criticou pessoas que se elegeram sob a bandeira bolsonarista e que não manifestaram, ainda, solidariedade a Bolsonaro, que está preso, ou à candidatura de Flávio.

Nesse contexto, ele acrescentou ter adotado o sobrenome da família em seu nome parlamentar como forma de responder a uma provocação de deputados da oposição, que teriam lembrado que, em 2018, parlamentares pediram para incluir Lula em seus respectivos nomes após a prisão do petista na Operação Lava Jato.

"Eu disse que não tenho problema nenhum de colocar no meu nome parlamentar o nome do presidente Bolsonaro", afirmou Gil Diniz, negando que a mudança de nome tenha interesses políticos.

Cenário eleitoral em São Paulo

O deputado é cotado ao Senado na vaga que, a princípio, seria destinada à candidatura de Eduardo Bolsonaro, mas que deixou de ser uma opção após a mudança dele para os Estados Unidos. A indicação de Gil Diniz ao Senado é apoiada por Eduardo em um cenário de indefinição da direita em São Paulo e de maior concorrência dentro do próprio PL.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por exemplo, tenta viabilizar o nome da deputada federal Rosana Valle para a disputa, enquanto os deputados Mario Frias e Marco Feliciano também são opções consideradas pela cúpula partidária.

"Coloco [o sobrenome Bolsonaro] no meu nome parlamentar não como maneira politiqueira de fazer o uso indevido do nome do presidente Bolsonaro, mas marcando posição: aqui, sim, nós defendemos o presidente Bolsonaro e sua família. Não importa se com o nome ou não, isso não diz se somos bolsonaristas", acrescentou Gil Diniz.

Procurado pela Folha de S.Paulo, o deputado não respondeu mensagens nem atendeu as ligações da reportagem.