Galípolo: Banco Master era de 'terceira divisão' e não oferecia risco sistêmico
Galípolo: Master era banco de terceira divisão

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (18) no Senado que o Banco Master era uma espécie de instituição de terceira divisão no sistema financeiro brasileiro. Segundo ele, o que mais tem consternado as pessoas ao analisar o caso é o que se fazia com o dinheiro depositado no banco, e menos com o passivo da instituição, que foi liquidada pelo BC em novembro do ano passado.

Classificação e risco sistêmico

Galípolo explicou que o Master era classificado como banco S3, nomenclatura interna da autarquia que representa a terceira divisão do sistema financeiro, comparável à terceira divisão do futebol. Ele ressaltou que a instituição não oferecia risco sistêmico, pois correspondia a menos de 0,5% dos ativos do sistema financeiro nacional.

Investigações e suspeitas

O caso ganhou relevância devido ao uso do dinheiro. O Master chamava atenção no mercado por oferecer CDBs com altos retornos, garantidos pelo FGC. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e uso de recursos públicos, além de gastos milionários com festas e despesas de autoridades políticas.

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Servidores afastados

Dois servidores do BC foram afastados por envolvimento no caso. Uma investigação interna concluiu que o ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana simulou contratos de R$ 4 milhões com um advogado ligado ao Master para receber propina. O ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza também foi afastado, suspeito de manipular informações para afastar suspeitas.

Autonomia do BC e PEC

Galípolo pediu apoio dos senadores à PEC que dá autonomia financeira ao BC e à atualização na resolução bancária, que trata dos Regimes de Administração Especial Temporária (Raets). Ele destacou que o histórico mostra que, quando um banco entra em Raet, acaba sendo liquidado, e que o BC tem menos instrumentos que outras instituições.

O presidente do BC defendeu que a autarquia não pode servir a pressões políticas, como no veto à compra do BRB pelo Master. Ele respondeu ao senador Renan Calheiros, que questionou a falta de reação pública do BC a uma articulação do centrão para dar poderes ao Congresso de demitir diretores e o presidente do BC. Galípolo afirmou que o BC não é palanque e toma decisões corretas independentemente de pressões.

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