Vinte e nove dias antes de a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) ser rejeitada pelo plenário do Senado, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu mostrava-se excessivamente otimista sobre as chances de aprovação do chefe da Advocacia-Geral da União. Em evento com o presidente Lula na Arena Anhembi, em São Paulo, no dia 31 de março, Dirceu afirmou que o governo já havia superado o mínimo de 41 votos necessários no Senado para viabilizar a chegada de Messias à Corte máxima.
O conselho equivocado de Dirceu
No dia seguinte, 1º de abril, Lula formalizou a indicação por mensagem presidencial, iniciando o trâmite oficial. Dirceu declarou na ocasião: “O Jorge Messias tem a qualificação que a Constituição exige. Não há precedente histórico de recusa de um nome indicado pelo presidente. Creio que há maioria no Senado para aprová-lo. Ele será um excelente ministro.” O conselho do petista histórico, tido como hábil articulador, mostrou-se equivocado com a rejeição da indicação por 42 votos contra e apenas 34 a favor.
Reconhecimento da derrota
Em entrevista ao Flow Podcast, Dirceu admitiu tratar-se de “uma derrota política gravíssima”. Ele explicou: “O povo nos elegeu para governar, mas não deu maioria na Câmara e no Senado. Não podemos desconhecer isso. A indicação dependia de partidos que não concordam conosco e perdemos. Faz parte da democracia.” Dirceu acrescentou que pode haver por trás disso a luta contra o STF por causa da condenação dos golpistas de 8 de janeiro, além da disputa presidencial para enfraquecer Lula.
A rejeição representa um revés significativo para o governo, expondo a fragilidade da base aliada no Congresso. Analistas apontam que a falta de articulação e o desgaste político contribuíram para o resultado. Dirceu, que já foi um dos principais articuladores do PT, viu sua análise falhar, e o Planalto sofreu uma derrota que ecoa nos bastidores de Brasília.



