O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) denunciou, nesta quarta-feira, 29, que o regime do Irã executou ao menos 21 pessoas e prendeu aproximadamente 4.000 desde o início da guerra desencadeada por ataques de Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro. Segundo o órgão, Teerã intensificou práticas de tortura, desaparecimentos forçados e perseguição sistemática a opositores e minorias, utilizando o pretexto de proteger a segurança nacional.
Detalhes das execuções e prisões
De acordo com a denúncia, nove das execuções foram de indivíduos ligados aos protestos de janeiro deste ano, dez foram atribuídas à suposta participação em grupos de oposição e outras duas a acusações de espionagem. Para a ONU, o conflito externo tem servido como justificativa para o endurecimento ainda maior da repressão interna, sufocando qualquer forma de dissidência política.
Alerta do chefe de direitos humanos da ONU
O chefe da ONU para direitos humanos, Volker Türk, alertou para a deterioração acelerada das liberdades civis no país. “Estou consternado que – além dos impactos já severos do conflito – os direitos do povo iraniano continuem sendo cerceados pelas autoridades, de maneiras duras e brutais”, afirmou. Türk também destacou que, em tempos de guerra, as ameaças aos direitos humanos aumentam exponencialmente.
Condições dos detidos e bloqueio de internet
Além das execuções, o relatório aponta que mais de 4.000 pessoas foram presas desde 28 de fevereiro. Muitos dos detidos enfrentam condições severas, com superlotação, escassez de suprimentos básicos e acesso limitado a cuidados médicos. As autoridades também impuseram um dos bloqueios de internet mais longos do mundo, cortando o acesso por 61 dias.
Direitos fundamentais sob ataque
O alto comissário acrescentou que direitos fundamentais como a proteção contra a detenção arbitrária e o direito a um julgamento justo “devem ser respeitados absolutamente, em todos os momentos”. A ONU continua monitorando a situação e pede que a comunidade internacional tome medidas para garantir a proteção dos direitos humanos no Irã.



