Após Trump, Xi Jinping receberá Putin em Pequim para cúpula estratégica
Após Trump, Xi receberá Putin em Pequim para cúpula

O presidente chinês, Xi Jinping, receberá o líder russo, Vladimir Putin, em Pequim nos dias 19 e 20 de maio de 2026, apenas uma semana após o encontro com o presidente americano, Donald Trump. A expectativa é de que a reunião seja significativamente mais amistosa, refletindo o forte alinhamento entre os dois países. No domingo, os líderes trocaram mensagens de felicitações, nas quais Xi destacou que a cooperação bilateral "se aprofundou e se consolidou continuamente", em referência ao 30º aniversário da parceria estratégica entre Rússia e China.

Estreitamento de laços preocupa Ocidente

Os dois líderes já se encontraram em mais de 40 ocasiões, e o fortalecimento das relações sino-russas tem sido motivo de preocupação nos Estados Unidos e na Europa, especialmente desde o início da guerra na Ucrânia em 2022. Analistas apontam que o apoio econômico e diplomático chinês a Moscou contribui para a perpetuação do conflito. O jornal chinês Global Times, ligado ao Partido Comunista, afirmou que as visitas consecutivas de Trump e Putin demonstram que Pequim está "emergindo rapidamente como o ponto focal da diplomacia global", destacando ser raro um país receber os líderes das duas potências em uma mesma semana.

Comércio bilateral recorde

O comércio entre China e Rússia atingiu níveis recordes desde 2022, com Pequim adquirindo mais de um quarto das exportações russas. As compras chinesas de petróleo bruto forneceram a Moscou centenas de bilhões de dólares para financiar a guerra na Ucrânia. Segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, a China importou mais de US$ 367 bilhões em combustíveis fósseis russos desde o início da invasão. Essas importações reforçaram a segurança energética chinesa, especialmente após a crise no Oriente Médio interromper o fornecimento pelo Estreito de Ormuz.

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Encontro com Trump foca em comércio e Taiwan

Nem a guerra na Ucrânia nem a parceria sino-russa foram temas centrais nas conversas entre Trump e Xi na semana anterior. A declaração chinesa sobre a cúpula fez breve menção à "crise na Ucrânia", enquanto a declaração americana não a mencionou. A agenda priorizou comércio, Taiwan e a guerra no Oriente Médio. Trump afirmou que Xi concordou com a importância de reabrir o Estreito de Ormuz. Xi também pressionou Trump sobre Taiwan, alertando que uma má gestão da questão poderia levar a "conflito e até confronto" entre China e Estados Unidos. Trump deixou Pequim sem decidir sobre um acordo bilionário de venda de armas a Taipé, o que seria uma vitória para a China.

Taiwan como pano de fundo

O pesquisador sênior do Atlantic Council, Joseph Webster, sugeriu que Taiwan pode ser o subtexto do encontro entre Xi e Putin. Pequim pode buscar novos acordos de combustíveis fósseis com Moscou para garantir suprimento energético em caso de conflito futuro. Expandir a capacidade dos oleodutos russos para a China "aumentaria significativamente a segurança petrolífera de Pequim em uma eventualidade envolvendo Taiwan". A Rússia pressiona a China para avançar com o gasoduto "Força da Sibéria 2", que adicionaria 50 bilhões de metros cúbicos de capacidade à rede existente.

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