Acordo com Irã: iranianos que esperavam mudança são os grandes perdedores
Acordo com Irã: iranianos são os grandes perdedores

Milhões de iranianos que ansiavam pela queda do regime são os maiores derrotados pelo acordo entre Estados Unidos e Irã, ainda em fase de finalização. As bases amplamente divulgadas geraram reações de desilusão entre a população iraniana, que via na guerra uma oportunidade de mudança.

Reações dos iranianos

“Não temos mais esperança em Trump, vamos ter que derrubar a República Islâmica nós mesmos”, disse um cidadão anônimo, em reação que driblou o bloqueio de internet. Outro afirmou: “Nós, o povo do Irã, não queremos um cessar-fogo de 60 dias”. Um terceiro desabafou: “A notícia sobre o acordo mostra que o povo se tornou vítima da política”.

O site The Times of Israel também colheu depoimentos via exilados. “A guerra não chegou a sua conclusão final”, disse Arash. “Selar a paz com esses criminosos significa entregar o futuro de volta a eles. Eles vão recompor forças e voltar a nos massacrar”. Outro iraniano afirmou: “Só 10% dos iranianos ainda apoiam o regime. Se você andar pela rua, vai ver como as pessoas comuns estão revoltadas. Espero que Trump e Netanyahu façam alguma coisa por elas”.

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Análise de senadores americanos

Para o senador Lindsey Graham, aliado de Trump, o acordo é prejudicial a Israel. “Se foi feito um acordo porque se acredita que o Estreito de Ormuz não pode ser protegido do terrorismo iraniano e o Irã ainda tem capacidade de destruir infraestruturas petrolíferas, então o Irã será visto como uma força dominante. Isso representa uma grande mudança no equilíbrio de poder e, ao longo do tempo, seria um pesadelo para Israel”.

O senador Roger Wicker classificou o acordo como “um desastre” e disse: “Tudo o que a Operação Fúria Épica conseguiu terá sido por nada”. Já Ted Cruz afirmou que se o resultado for “um regime iraniano ainda dominado por islamistas que entoam ‘Morte à América’ recebendo bilhões, enriquecendo urânio e desenvolvendo armas nucleares, além de controlar o Estreito de Ormuz, então tudo terá sido um erro desastroso”.

Impacto para a região

Os pontos do acordo favoráveis ao regime iraniano não endossam uma visão otimista. A questão do urânio enriquecido foi isolada numa caixa à parte, ainda a ser discutida. O Irã sempre se recusou a abrir mão do material físsil. Enquanto isso, os Estados Unidos saem enfraquecidos, os países árabes do Golfo têm motivos para confiar menos na proteção americana, e Israel precisa engolir um “cálice de veneno”, como disse o aiatolá Khomeini ao encerrar a guerra com o Iraque nos anos 80.

Os milhões de iranianos que ansiavam por uma nova forma de governo terão que continuar a esconder o rosto e assistir em silêncio às execuções na forca dos manifestantes acusados de atos violentos, uma barbárie que não parou nem no auge da guerra, sinal da brutalidade e opressão do regime.

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