Petróleo despenca com esperança de acordo entre EUA e Irã
Petróleo despenca com esperança de acordo EUA-Irã

Os preços do petróleo desabam nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, após declarações do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, indicando progressos nas negociações com os Estados Unidos para encerrar a guerra de forma duradoura. Apesar do otimismo, Baqaei ressaltou que um acordo não é iminente. Por volta das 7h38, o barril do Brent recuava 5,6%, cotado a US$ 94,59.

Avanços e cautela nas negociações

Em sua coletiva semanal, Baqaei confirmou que Irã e EUA chegaram a um consenso na maioria dos temas discutidos, mas evitou afirmar que a assinatura de um acordo está próxima. "Afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar", declarou. O governo iraniano também anunciou a intenção de cobrar taxas por "serviços de navegação" de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, estratégico para o comércio global de petróleo. Baqaei explicou que os serviços prestados, incluindo a proteção ambiental na região, justificam a cobrança, mas negou que se trate de pedágios.

Do lado americano, o tom é de cautela. O presidente Donald Trump moderou as expectativas de um acordo iminente, escrevendo em sua plataforma Truth Social: "Instruí meus representantes a não se precipitarem, porque o tempo está a nosso favor". Trump também afirmou que o bloqueio aos portos iranianos "permanecerá em pleno vigor" até que um acordo final seja assinado. Um funcionário do alto escalão americano revelou ao Axios que um anúncio pode levar dias, dependendo da aprovação de autoridades iranianas, incluindo o líder supremo, Mojtaba Khamenei.

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Declarações de autoridades

Trump comparou qualquer futuro acordo com o Irã ao acordo nuclear de 2015, negociado por Barack Obama, prometendo que será "um bom acordo, sério". O secretário de Estado Marco Rubio, em Nova Délhi, sugeriu que o mundo pode receber "boas notícias" nas próximas horas. Ele destacou que o acordo abordaria as preocupações de Washington sobre o Estreito de Ormuz, quase totalmente bloqueado pelo Irã desde o ataque de 28 de fevereiro, realizado por Israel e EUA, que desencadeou a guerra.

O controle do Estreito de Ormuz, crucial para o comércio global de hidrocarbonetos, tem sido um dos principais obstáculos nas negociações mediadas pelo Paquistão desde a trégua de 8 de abril. A CBS News, citando fontes, informou que a proposta em discussão inclui o desbloqueio de ativos iranianos no exterior e a prorrogação das negociações por 30 dias, prazo também mencionado pelo The Wall Street Journal. No entanto, a agência iraniana Tasnim reportou que os EUA ainda bloqueiam alguns pontos, como os bens iranianos congelados.

Questão nuclear fica para depois

A questão do programa nuclear iraniano será tratada em negociações posteriores, conforme indicaram Rubio, Baqaei e a mídia americana. Baqaei afirmou que estão finalizando um memorando de entendimento com Washington, mas isso não implica um acordo sobre as principais questões. "A questão nuclear não faz parte desta etapa", assegurou. EUA e Israel suspeitam que o programa visa desenvolver armas nucleares, enquanto o Irã alega fins civis.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou no domingo que ele e Trump concordam que um acordo final deve eliminar "a ameaça nuclear", o que implica desmantelar as instalações de enriquecimento de urânio e remover o material enriquecido do Irã. Rubio, em entrevista ao The New York Times, disse que o acordo tem apoio regional, mas que não é possível resolver a questão nuclear "em 72 horas no verso de um guardanapo". Ele destacou que sete ou oito países da região apoiam a abordagem atual.

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