Conselho do São Paulo vota impeachment de Casares nesta sexta; 254 conselheiros aptos
São Paulo vota impeachment do presidente Julio Casares hoje

O futuro da presidência do São Paulo Futebol Clube será decidido nesta sexta-feira (16). O Conselho Deliberativo do clube se reúne, a partir das 18h30 (horário de Brasília), para votar o pedido de impeachment do presidente Julio Casares, de 64 anos. A sessão histórica ocorrerá de forma híbrida, com participação presencial no Salão Nobre do Morumbis e também online, após decisão judicial que garantiu o formato.

Decisão judicial e formato da votação

A juíza Luciane Cristina Silva Tavares, da 3ª Vara Cível do Butantã, autorizou a realização da sessão no modelo semipresencial. A magistrada entendeu que não havia motivo para restringir a votação ao formato presencial, uma vez que o estatuto do clube já prevê a possibilidade de reuniões híbridas. A decisão foi vista como uma vitória pela oposição a Casares, que temia um esvaziamento da votação devido ao período de férias e à dificuldade de deslocamento de conselheiros mais idosos.

O São Paulo tentou reverter a liminar, mas um recurso foi negado na quarta-feira (14) pela juíza Mônica Rodrigues Dias de Carvalho, da 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A votação entre os conselheiros será secreta.

Os números decisivos para o impeachment

Um total de 254 conselheiros estão aptos a votar. Para que Julio Casares seja afastado do cargo, a oposição precisa atingir dois marcos importantes. Primeiro, é necessário um quórum mínimo de 75% dos conselheiros, o que equivale a 191 votantes presentes. Em segundo lugar, para a destituição ser aprovada, são necessários dois terços dos votos (171) favoráveis ao impeachment.

Inicialmente pessimista quanto à capacidade de alcançar esses números, a oposição ganhou força nos últimos dias. A base de apoio de Casares sofreu rachaduras significativas. Quatro dos seis grupos que formavam a coalizão que o levou e sustentava na presidência deixaram a gestão: Legião, Vanguarda, Sempre Tricolor e Participação – esta última, a chapa do próprio mandatário.

Integrantes desses grupos agora dissidentes estimam reunir 128 votos a favor do afastamento. Somados aos votos da oposição tradicional, os cálculos indicam um apoio de pelo menos 182 conselheiros inclinados a votar pelo impeachment, um número superior aos 171 necessários.

Aliados e adversários no conselho

Um dos golpes mais simbólicos para Casares foi a mudança de posição de seu próprio vice-presidente. Harry Massis Junior, de 80 anos, que assumiria o cargo em caso de afastamento do presidente, declarou que votará pelo impeachment. Conselheiro vitalício e sócio do clube desde 1964, Massis Junior é uma figura histórica no São Paulo.

Com a debandada de aliados, Casares conta hoje principalmente com o apoio de dois grupos: Força São Paulo e Movimento São Paulo. Juntos, eles somam 67 conselheiros. Se todos votarem pela permanência de Casares, a oposição teria um teto máximo de 187 votos favoráveis ao impeachment, ainda assim 16 a mais do que o necessário para a destituição.

As suspeitas que abalaram a gestão

A corrente a favor do impeachment ganhou força com o avanço de investigações da Polícia Civil. As apurações envolvem o suposto recebimento de R$ 1,5 milhão em dinheiro e a realização de 35 saques que somam R$ 11 milhões em contas do clube. A Secretaria da Segurança Pública informou que as investigações tramitam no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), em segredo de Justiça.

Os advogados de Casares, Daniel Bialski e Bruno Borragine, defenderam o presidente. Eles afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf têm origem lícita e legítima, compatível com a evolução da capacidade financeira do dirigente, que ocupou cargos de alta direção na iniciativa privada antes de assumir o São Paulo.

Este não é o primeiro desgaste significativo. No fim do ano passado, áudios indicaram um suposto esquema de venda clandestina de ingressos para um camarote do Morumbi reservado à presidência em dias de shows. Além disso, embora o conselho consultivo do clube, formado por ex-presidentes, tenha dado parecer contrário ao impeachment, a divulgação das investigações policiais sobre as movimentações financeiras fez o presidente perder apoio rapidamente dentro do clube.

Próximos passos após a votação

Se o número de votos necessários for atingido nesta sexta-feira, Julio Casares será afastado imediatamente da presidência. No entanto, o processo não termina aí. Uma assembleia geral de sócios deve ser convocada em até 30 dias para ratificar ou rejeitar a decisão dos conselheiros. Nessa etapa, a aprovação acontece por maioria simples entre os aproximadamente 50 mil sócios do São Paulo.

A sessão desta sexta-feira promete ser um marco na história recente do tricolor paulista, definindo os rumos da instituição em meio a uma grave crise política e de gestão.