Urna de lona e ata da eleição de JK: museu em Boa Vista expõe história eleitoral de Roraima
Urna de lona e ata de JK: museu mostra história eleitoral em RR

Museu em Boa Vista revela tesouros da história eleitoral brasileira

Em um canto especial do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima, em Boa Vista, repousam relíquias que contam capítulos fundamentais da democracia brasileira. O Espaço Memória, aberto ao público, transforma-se em uma viagem no tempo através de urnas, documentos e fotografias que marcaram o processo eleitoral no estado mais jovem do país.

A urna de lona: símbolo de uma era

Destaque da exposição, a urna de lona marrom com tampa móvel e fechadura à chave foi utilizada nas votações de Roraima até a década de 1990. Este artefato histórico testemunhou momentos cruciais, incluindo a eleição de Ottomar Pinto, primeiro governador do estado. Substituída gradualmente pela tecnologia, a urna de lona representa um período onde a apuração dos votos era um processo manual e demorado.

Conforme explica Aerton Batista, guia do espaço de 48 anos, "os votos eram inseridos na urna de lona e ela era transportada para locais como o ginásio Canarinho, onde as apurações podiam durar de sete a dez dias". Essa prática contrasta radicalmente com a agilidade das urnas eletrônicas atuais.

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Documento histórico: a ata da eleição de JK

Entre as preciosidades do acervo, encontra-se uma ata de apuração manuscrita da eleição presidencial de 1955. Este documento registra que Juscelino Kubitschek, fundador de Brasília e 21º presidente do Brasil, recebeu 119 votos na zona eleitoral da capital roraimense. A peça oferece um vislumbre íntimo do processo democrático da época, preservando a memória de um momento decisivo na história nacional.

Evolução tecnológica e educativa

O percurso expositivo apresenta sete urnas de votação que ilustram a transição desde os métodos tradicionais até a modernidade digital. A urna eletrônica, adotada no Brasil em 1996, está presente e completará 30 anos de uso em 2026. Além disso, os visitantes podem observar títulos eleitorais antigos das décadas de 1970 e 1980, um mapa de comparecimento das eleições de 1950 e uma urna transparente desenvolvida nos anos 2000.

Iara Calheiros, analista judiciária do TRE, destaca que o espaço "materializa e preserva a história, servindo também como um instrumento educativo". Estudantes e representantes de organizações públicas e privadas frequentam o local para compreender melhor a trajetória eleitoral do estado.

Contexto atual e importância cívica

Em 2026, Roraima celebrará 38 anos de existência, e as eleições gerais mobilizarão 385.527 eleitores aptos no estado. O Espaço Memória funciona na rua Presidente Juscelino Kubitscheck, nº 543, no bairro São Pedro, zona Leste de Boa Vista, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.

Esta iniciativa dialoga com projetos como o "Amazônia Que Eu Quero 2026", que debate democracia na era digital e o poder do voto. O museu não apenas guarda o passado, mas também inspira a reflexão sobre o futuro da participação política, lembrando que a cidadania começa muito antes do dia da eleição.

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