Jogo duplo do PL entre Ratinho e Moro embaralha eleições no Paraná
PL entre Ratinho e Moro embaralha eleições no Paraná

Jogo duplo do PL entre Ratinho e Moro embaralha eleições no Paraná

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e o senador Sergio Moro (União-PR) enfrentam um cenário político complexo nas eleições de 2026, onde o apoio do Partido Liberal (PL) pode ser decisivo. Ambos os políticos buscam uma aliança com o grupo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas encontram obstáculos devido a históricos conturbados com o partido liderado por Valdemar Costa Neto.

Dificuldades na corrida presidencial e estadual

Ratinho Júnior, considerado uma alternativa forte do PSD para as eleições presidenciais, não terá vida fácil para viabilizar sua candidatura ao Planalto. Além de disputar internamente no partido, o governador enfrenta dificuldades para nomear um sucessor no governo do Paraná capaz de frear o avanço de Sergio Moro nas pesquisas. O ex-juiz lidera hoje em todos os cenários para comandar o Executivo estadual, segundo reportagem de VEJA.

No fragmentado tabuleiro da direita paranaense, nem Ratinho nem Moro podem descartar uma aliança com o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em um dos estados mais conservadores do país, o apoio do bolsonarismo a um dos lados pode representar um pesado golpe contra o outro. Nas últimas semanas, governador e ex-juiz vêm acenando publicamente ao eleitorado evangélico enquanto negociam nos bastidores com o grupo de Flávio Bolsonaro.

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Histórico de atritos complica aproximações

O histórico recente da política nacional dificulta a aproximação entre o grupo de Jair Bolsonaro e qualquer dos dois lados. No caso de Ratinho Júnior, a relação entre governador e ex-presidente rachou nas eleições municipais de Curitiba, em 2024. Na ocasião, o PL formou chapa à prefeitura com Eduardo Pimentel (PSD), aliado de Ratinho, mas Bolsonaro contrariou o próprio partido e endossou o nome da rival Cristina Graeml.

Moro, por sua vez, tem uma longa ficha de atritos com o clã Bolsonaro que datam desde 2020, quando deixou o Ministério da Justiça disparando acusações públicas contra o capitão por tentativa de interferência na Polícia Federal. A relação com o PL também não é amigável — em 2022, quando Moro derrotou o bolsonarista Paulo Martins nas eleições ao Senado, o ex-juiz da Lava Jato tornou-se alvo de uma ação eleitoral movida por Valdemar Costa Neto.

Indefinição embaralha corridas ao Senado e governo

Os interesses conflitantes do PL nos cenários nacional e estadual, bem como a incerteza dentro do PSD sobre a candidatura ao Planalto, tornam o xadrez partidário ainda mais complicado no Paraná para as corridas ao Senado e ao governo local.

Para o Senado pelo Paraná, o PL mantém a pré-candidatura do deputado federal Filipe Barros, que tem proximidade com Ratinho Júnior e busca compor uma chapa com o PSD. Em entrevistas recentes, governador e deputado vêm sinalizando o interesse em consolidar a aliança — o pacto entre PSD e bolsonaristas fortaleceria o grupo contra a frente da esquerda paranaense.

Nos bastidores, o grupo de Barros tenta agendar um encontro entre Ratinho Júnior e Flávio Bolsonaro para selar o acordo. Do outro lado, porém, há conversas sobre um possível apoio do senador a Sergio Moro — manobra que tem sido vista como um ultimato do "Zero Um" para fazer o governador desistir de vez da corrida presidencial.

Já Moro enfrenta resistência à sua candidatura ao governo do Paraná dentro da federação União Progressista, uma vez que o PP almeja lançar um nome próprio ao Palácio Iguaçu e negocia uma saída do senador do União Brasil. Presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (Piauí) já se demonstrou disposto a embarcar na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, aumentando a pressão sobre o ex-juiz para migrar de partido.

O jogo duplo do PL entre Ratinho e Moro continua a embaralhar as eleições no Paraná, com alianças instáveis e negociações tensas definindo o futuro político do estado. A incerteza sobre quem conseguirá o apoio bolsonarista mantém o cenário em constante mudança, com implicações tanto para as disputas estaduais quanto para a corrida presidencial de 2026.

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