Zelensky Revela Prazo dos EUA para Fim da Guerra na Ucrânia até Junho
EUA dão prazo até junho para fim da guerra na Ucrânia

Em uma declaração impactante, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, revelou que os Estados Unidos estabeleceram um prazo rigoroso para que seu país e a Rússia cheguem a um acordo que ponha fim ao conflito armado que já se arrasta por quase quatro anos. Segundo informações divulgadas pelo mandatário ucraniano, a administração norte-americana deu às partes envolvidas até o mês de junho para concluírem as negociações de paz.

Prazo Imposto e Pressão Política

Zelensky detalhou que, caso o prazo estabelecido não seja cumprido, o governo do presidente Donald Trump provavelmente exercerá pressão significativa sobre ambos os lados do conflito para acelerar o processo. "Os americanos estão propondo que as partes encerrem a guerra até o início do verão e provavelmente pressionarão as partes exatamente de acordo com esse cronograma", afirmou o líder ucraniano durante coletiva de imprensa realizada na Lituânia.

Obstáculos nas Negociações

As tratativas de paz frequentemente esbarram em exigências consideradas intransigentes por Kiev. A Rússia insiste que a Ucrânia ceda territórios estratégicos, especialmente a região oriental do Donbass e a península da Crimeia, como condição para encerrar os combates. Esta é uma demanda que o governo ucraniano se recusa veementemente a discutir, criando um impasse persistente nas conversações.

Zelensky confirmou que os Estados Unidos propuseram a realização de uma nova rodada de negociações trilaterais na próxima semana em território norte-americano, provavelmente na cidade de Miami. "Confirmamos nossa participação", declarou o presidente, demonstrando disposição para continuar o diálogo diplomático.

Ataques à Infraestrutura Energética

Enquanto as discussões políticas avançam a passos lentos, a situação no terreno permanece extremamente crítica. Durante a noite de sábado, as forças russas lançaram um massivo ataque contra a infraestrutura energética ucraniana, utilizando mais de 400 drones e aproximadamente 40 mísseis.

Os alvos incluíram:

  • A rede elétrica nacional
  • Instalações de geração de energia
  • Redes de distribuição essenciais

Segundo a Ukrenergo, operadora estatal de transmissão de energia, este foi o segundo ataque em massa deste tipo desde o início do ano. O comunicado oficial revela que oito instalações críticas em oito regiões diferentes foram atingidas, forçando até mesmo usinas nucleares a reduzirem drasticamente sua produção.

Crise Energética Agravada

"Como resultado dos ataques com mísseis a subestações de alta tensão essenciais que garantiam a produção de unidades de energia nuclear, todas as usinas nucleares nos territórios sob controle foram forçadas a reduzir sua carga", detalhou o comunicado da Ukrenergo.

O déficit de energia no país aumentou de forma significativa, obrigando as autoridades a prorrogarem os cortes de energia programados, que agora ocorrem de hora em hora em todas as regiões da Ucrânia. Esta situação agrava ainda mais as condições de vida da população, que já enfrenta um inverno rigoroso com interrupções no fornecimento de água e aquecimento.

Negociações em Abu Dhabi sem Avanços

O prazo estabelecido pelos Estados Unidos surge após as negociações trilaterais mediadas pelos norte-americanos em Abu Dhabi, que não produziram progressos concretos. As partes permanecem apegadas a exigências mutuamente excludentes, com Moscou pressionando por uma retirada ucraniana do Donbass, onde os combates continuam intensos.

Zelensky foi enfático ao reafirmar a posição de seu governo: "Questões difíceis continuam difíceis. A Ucrânia reafirmou suas posições sobre a questão do Donbas. 'Mantemos nossa posição' é o modelo mais justo e confiável para um cessar-fogo hoje, em nossa opinião".

Tópicos Complexos e Propostas Controvertidas

Entre os assuntos mais delicados discutidos estão a gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia, atualmente sob controle russo, e uma proposta norte-americana de transformar a região do Donbas em uma zona econômica especial como forma de compromisso.

Zelensky expressou ceticismo em relação a esta última ideia: "Não sei se isso pode ser implementado, porque quando discutimos uma zona econômica especial, tínhamos opiniões diferentes". O presidente ucraniano acrescentou que os tópicos mais complexos seriam reservados para uma reunião trilateral entre os próprios líderes das nações envolvidas.

Proposta de Cessar-Fogo e Violações Anteriores

Durante as discussões, os Estados Unidos propuseram novamente um cessar-fogo específico que proíbe ataques à infraestrutura energética. Zelensky afirmou que a Ucrânia está pronta para respeitar essa pausa humanitária, desde que a Rússia assuma o mesmo compromisso.

No entanto, o líder ucraniano lembrou que, quando Moscou concordou anteriormente com uma trégua de uma semana sugerida pelos norte-americanos, o acordo foi violado após apenas quatro dias, minando a confiabilidade de futuros acordos similares.

Zelensky revelou ainda que, na última rodada de negociações, os representantes discutiram aspectos técnicos de como um eventual cessar-fogo seria monitorado, com os Estados Unidos reafirmando que desempenhariam um papel ativo nesse processo de verificação.

O presidente ucraniano mencionou também que a Rússia apresentou aos Estados Unidos uma proposta econômica biliteral avaliada em impressionantes US$ 12 trilhões, que ele apelidou de "Pacote Dmitriev", em referência ao enviado russo Kirill Dmitriev. Estes acordos econômicos fazem parte de um processo de negociação mais amplo que busca estabilizar a região pós-conflito.