Ataques russos agravam crise energética na Ucrânia e ameaçam catástrofe humanitária
Ataques russos pioram crise energética na Ucrânia

Ataques russos intensificam crise energética na Ucrânia e colocam infraestrutura no limite

A operadora de energia elétrica ucraniana, Ukrenergo, emitiu um alerta grave nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, informando que a situação energética do país piorou significativamente após uma nova onda de ataques russos. As instalações energéticas estão recebendo reparos emergenciais devido à ofensiva com drones e mísseis, mas a empresa advertiu que o equipamento está operando no limite de sua capacidade, enfrentando uma sobrecarga tremenda.

Sistema elétrico enfrenta dia mais difícil desde 2022

Na véspera, o ministro da Energia da Ucrânia, Denys Shmyhal, revelou que o sistema elétrico enfrentou seu dia mais desafiador desde o grande apagão de 2022. A Rússia tem intensificado bombardeios contra a infraestrutura energética ucraniana, já fragilizada por quase quatro anos de guerra contínua. Essas operações militares deixaram parte da população no escuro, sem aquecimento adequado durante uma onda de frio rigorosa, com temperaturas abaixo de zero.

Maxim Timchenko, CEO da principal empresa privada de energia da Ucrânia, a DTEK, em entrevista à agência Reuters, advertiu que a situação está próxima de uma catástrofe humanitária. Ele enfatizou que qualquer futuro acordo de paz deve incluir o fim imediato desses ataques à infraestrutura crítica.

Incidente em Chernobyl agrava preocupações

Na semana passada, a usina nuclear de Chernobyl, palco do pior desastre nuclear civil da história, sofreu uma interrupção total no fornecimento de energia externa após uma salva de bombardeios russos. Este incidente ocorreu após a agência de vigilância nuclear da ONU alertar que o escudo protetor de Chernobyl não consegue mais conter o material radioativo adequadamente, devido aos danos causados por um ataque de drones em fevereiro de 2025.

Tratativas de paz em Abu Dhabi buscam solução para conflito

Em meio às tensões crescentes, representantes dos Estados Unidos, da Ucrânia e da Rússia se reúnem em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, nesta sexta-feira. Este será o primeiro encontro conjunto entre as três nações, que até agora só haviam negociado em caráter bilateral, representando um novo impulso para encerrar a guerra iniciada em fevereiro de 2022.

Contexto das negociações

A reunião trilateral foi anunciada após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, conversar com seu homólogo americano, Donald Trump, às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos. Paralelamente, o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu em Moscou o enviado americano Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner.

A Rússia, que controla aproximadamente 20% do território ucraniano, apresenta exigências claras para um acordo de paz:

  • Retirada completa das tropas ucranianas da região do Donbass, no leste do país.
  • Compromisso de Kiev em não aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Outra reunião, dedicada a questões econômicas, também ocorrerá nesta sexta-feira em Abu Dhabi, envolvendo Witkoff e o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev.

A situação na Ucrânia permanece crítica, com a infraestrutura energética à beira do colapso e esforços diplomáticos em andamento para buscar uma solução pacífica. A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, enquanto a população ucraniana enfrenta desafios diários de sobrevivência em meio a apagões e condições climáticas adversas.