É #FAKE que vídeo mostre protesto de entregadores contra governo Lula; imagens são de ato por segurança
É #FAKE que vídeo mostre protesto de entregadores contra Lula

Vídeo viral de protesto de entregadores é descontextualizado em redes sociais

Circulam intensamente nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter) e no Facebook, posts que compartilham um vídeo mostrando dezenas de entregadores reunidos em protesto. As publicações falsas afirmam que se trata de uma manifestação da categoria contra "o governo Lula (PT) e seus impostos", com alegações específicas sobre taxação de entregas por aplicativo. No entanto, é #FAKE que o conteúdo represente qualquer oposição direta ao governo federal.

Origem real das imagens e contexto correto

O vídeo em questão é autêntico e não uma produção de inteligência artificial, mas está completamente fora de contexto. As imagens foram registradas em 26 de janeiro de 2025 durante um protesto de motoboys no Rio de Janeiro. O ato foi organizado como resposta à falta de segurança pública, após dois entregadores terem sido assassinados durante o trabalho em menos de uma semana.

Na gravação original, é possível ouvir um dos manifestantes dizer através de um megafone: "Nós paramos o Brasil e vamos parar a P. toda, se for preciso. Nós vamos puxar agora, bora!". Os posts falsos cortaram deliberadamente o final do vídeo, onde o mesmo homem completa: "Nós vamos puxar agora pro palácio Guanabara", referindo-se à sede do governo do estado do Rio de Janeiro.

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Detalhes dos crimes que motivaram o protesto real

O protesto legítimo ocorreu após a morte de Paulo Vitor de Souza Lopes, de 22 anos, assassinado a tiros enquanto fazia a entrega de uma pizza na Zona Oeste do Rio na noite de 25 de janeiro. Os suspeitos dispararam contra o jovem e fugiram levando a motocicleta da vítima. Este caso aconteceu menos de uma semana após outro entregador ter sido morto na Zona Norte da capital fluminense.

Thiago Santana, que se descreve como "liderança motoboy RJ" e publicou o vídeo original em seu Instagram, convocou a categoria afirmando: "Mais um dos nossos que caiu trabalhando, mano. Está ficando impossível de trabalhar no Rio de Janeiro. [...] Precisamos de melhoria na porra da segurança, para ontem. [...] Estamos indo lá pra Campo Grande. Nós não vamos morrer calados. Vamos fazer nossa manifestação, eles vão ter que nos ouvir".

Contexto político que alimentou a desinformação

Os posts falsos viralizaram após uma reunião entre ministros do governo federal e deputados envolvidos na elaboração do PLP 152/2025, projeto de lei complementar sobre regulamentação do trabalho por aplicativos. O texto, protocolado pelo deputado Luiz Gastão (PSD-CE), prevê em sua última versão o estabelecimento de um valor mínimo a ser pago aos entregadores por entregas e corridas.

É importante esclarecer que a proposta não se trata de uma cobrança adicional à categoria, mas sim de um piso remuneratório. A versão apresentada em dezembro pelo relator estabelecia R$ 8,50 como valor mínimo, enquanto o governo busca chegar a R$ 10. Na sexta-feira (13), o Fato ou Fake já havia publicado uma checagem esclarecendo que é #FAKE que o governo Lula propôs taxar entregadores de aplicativo em R$ 10 por corrida.

Como identificar e combater a desinformação

A manipulação de vídeos reais para criar narrativas falsas tem se tornado uma prática comum nas redes sociais. Neste caso específico:

  • Os posts cortaram parte essencial do áudio que contextualizava o protesto
  • Atribuíram motivações políticas inexistentes às imagens
  • Associaram indevidamente o protesto a discussões legislativas em andamento

Para verificar informações sobre temas sensíveis como regulamentação trabalhista e protestos, recomenda-se consultar fontes oficiais e veículos de checagem de fatos. A descontextualização de manifestações legítimas por questões de segurança pública para fins políticos representa um grave problema na disseminação de desinformação no Brasil.

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