Imagem falsa de manchete do jornal O GLOBO propaga notícia enganosa sobre suspensão de entrada de brasileiros nos Estados Unidos
Uma imagem completamente forjada que simula uma matéria do tradicional jornal O GLOBO está circulando intensamente nas principais redes sociais, incluindo X (antigo Twitter) e Instagram. A publicação fraudulenta alega que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria suspendido a entrada de todos os cidadãos brasileiros no território americano. É importante destacar desde já: trata-se de uma notícia #FAKE, completamente falsa e sem qualquer fundamento na realidade.
Detalhes da publicação enganosa que engana usuários das redes
A postagem que vem sendo compartilhada mostra o título e subtítulo de uma suposta matéria do jornal O GLOBO, que teria sido assinada pela renomada colunista Miriam Leitão e publicado na sexta-feira, dia 13. O título da matéria falsificada afirma categoricamente: "Trump suspende entrada de todos os brasileiros nos EUA". Já o subtítulo, conhecido como linha-fina, complementa: "Presidente americano tomou a decisão após Lula cancelar o visto do seu assessor. Suspensão foi validada por Marco Rubio e Christopher Landau".
Contudo, nada disso corresponde à verdade. A imagem foi claramente manipulada e a matéria em questão jamais existiu nas páginas do jornal O GLOBO ou em qualquer outro veículo de comunicação sério. Não há registros oficiais, anúncios públicos ou qualquer indicação de retaliação por parte do governo Trump em resposta às medidas anunciadas recentemente pelo Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Contexto real por trás da desinformação que gerou a falsa notícia
O conteúdo enganoso começou a circular nas redes sociais no sábado, dia 14, exatamente um dia após o Ministério das Relações Exteriores brasileiro ter revogado a concessão do visto diplomático a Darren Beattie, assessor direto do ex-presidente Donald Trump. Beattie tinha planos de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre pena na Papudinha por sua participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha de fato proibido a entrada de Beattie no território brasileiro, não existe qualquer posicionamento ou manifestação oficial do governo americano em retaliação a essa decisão específica. Ao comentar a revogação do visto do assessor americano, o presidente Lula vinculou claramente a medida ao episódio envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cuja família teve os vistos cancelados pelos Estados Unidos no ano anterior.
"Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado", declarou Lula durante evento realizado no Rio de Janeiro. "Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos", completou o presidente.
Desenvolvimentos judiciais e diplomáticos que explicam a situação real
A defesa jurídica de Jair Bolsonaro havia recebido autorização preliminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Darren Beattie pudesse visitar o ex-presidente na Papudinha. Entretanto, na quinta-feira anterior, Moraes reconsiderou sua decisão e negou definitivamente a autorização para a visita.
A decisão judicial que reverteu o despacho anterior levou em consideração informações encaminhadas pelo chanceler Mauro Vieira diretamente ao Supremo Tribunal Federal. No ofício oficial, o ministro das Relações Exteriores informou que o pedido de visto apresentado em Washington mencionava exclusivamente a participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos e reuniões com autoridades brasileiras, sem qualquer referência à intenção de visitar Bolsonaro.
Em sua fundamentação, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que a visita não estava vinculada às atividades oficiais previamente indicadas e citou explicitamente o risco de "indevida ingerência em assuntos internos", argumento apresentado pelo Itamaraty ao tribunal superior. A defesa de Bolsonaro havia solicitado autorização para que Beattie pudesse visitá-lo nos dias 16 ou 17 de março, durante sua passagem programada pelo país.
Segundo informações que surgiram posteriormente, o pedido de agenda diplomática para Darren Beattie ocorreu em cima da hora. Após o ministro Moraes solicitar esclarecimentos detalhados sobre a viagem e a possível visita ao ex-presidente, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília pediu reuniões para o assessor com autoridades do Ministério das Relações Exteriores. Este pedido foi feito apenas depois da solicitação de visita a Bolsonaro e sem existir qualquer agenda diplomática previamente comunicada e aprovada pelo Itamaraty.
A decisão judicial manteve a regra estabelecida segundo a qual todas as visitas ao ex-presidente preso dependem obrigatoriamente de autorização judicial prévia. Bolsonaro permanece preso por decisão do Supremo Tribunal Federal no inquérito que o coloca como um dos principais responsáveis pela tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022.
