Zelensky critica pressão 'injusta' de Trump em Genebra e rejeita cessão de territórios ucranianos
Zelensky critica Trump e rejeita cessão de territórios na Ucrânia

Zelensky denuncia pressão de Trump como 'injusta' em meio a negociações tensas em Genebra

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou publicamente o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de exercer uma pressão considerada "injusta" sobre Kiev durante as delicadas negociações de paz que ocorrem em Genebra. As declarações foram feitas em entrevista ao site Axios, coincidindo com o quarto aniversário da invasão russa em larga escala.

Zelensky expressou preocupação com as exigências públicas de Trump, que pedem concessões territoriais por parte da Ucrânia para acelerar um acordo de paz. "Não é justo", afirmou o líder ucraniano, acrescentando: "Espero que sejam apenas táticas, e não uma decisão". Trump havia sugerido anteriormente, a bordo do Air Force One, que a Ucrânia "precisa ir rapidamente à mesa de negociações".

Firme posição contra cessões territoriais

O presidente ucraniano foi enfático ao declarar que qualquer plano envolvendo a entrega de territórios que a Rússia sequer conquistou na região de Donbas seria categoricamente rejeitado pela população se submetido a um referendo. Esta posição demonstra uma resistência firme a concessões amplas como parte de um eventual acordo de paz, mantendo a soberania territorial como ponto inegociável.

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Enquanto isso, o principal negociador ucraniano, Rustem Umerov, informou que o primeiro dia de conversas em Genebra tratou de "questões práticas e da mecânica de possíveis decisões", sem entrar em detalhes sobre propostas específicas. As negociações devem continuar, indicando um processo complexo e prolongado.

Combates continuam enquanto diplomatas negociam

Paralelamente às discussões diplomáticas, os conflitos armados persistem no terreno. O serviço de segurança doméstica da Ucrânia (SBU) relatou que drones ucranianos atingiram durante a madrugada o terminal petrolífero de Taman, na região russa de Krasnodar, e uma fábrica química na região de Perm, próxima aos montes Urais.

Segundo autoridades ucranianas, este foi o segundo ataque ao terminal de Taman desde 22 de janeiro. A planta Metafrax, em Perm, é descrita como uma das maiores produtoras de metanol da Rússia e da Europa, localizada a aproximadamente 1.600 km do território ucraniano. O comandante das forças de drones de Kiev, Robert Brovdi, afirmou que nove refinarias russas foram atingidas desde o início do ano, totalizando 240 instalações alvo de ataques ucranianos no período.

Reflexos da guerra em outros países europeus

O conflito também produz impactos significativos em outras nações europeias. O aeroporto de Vilnius, na Lituânia, retomou operações após um fechamento temporário causado pela entrada de balões meteorológicos vindos de Belarus em seu espaço aéreo. Este terminal, situado a cerca de 30 km da fronteira, já foi fechado mais de dez vezes desde outubro de 2025 por episódios semelhantes.

Na França, autoridades anunciaram a liberação do petroleiro Grinch, suspeito de integrar a "frota sombra" russa utilizada para driblar sanções internacionais. A embarcação foi retida no mês passado entre Espanha e Marrocos e liberada após o pagamento de uma multa milionária por seu proprietário.

Guerra híbrida e disputas tecnológicas

Em outra frente sensível, o vice-ministro da Defesa da Rússia, Aleksei Krivoruchko, afirmou à televisão estatal que terminais do sistema Starlink usados por militares russos estão fora de operação há duas semanas, mas que isso não teria afetado a eficácia das operações com drones. Esta versão foi contestada pelo ministro ucraniano da Transformação Digital, Mykhailo Fedorov, que afirmou que o impacto foi significativo.

Uma análise do Institute for the Study of War aponta que a Ucrânia recuperou 201 km² na semana passada, aproveitando-se da interrupção do serviço Starlink. Na Escandinávia, a chefe do serviço de inteligência militar da Suécia, Thomas Nilsson, alertou que a Rússia intensificou atividades de "ameaça híbrida" na região, desenvolvendo um amplo repertório que inclui desinformação, ataques cibernéticos e interferência eleitoral.

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