União Europeia classifica Guarda Revolucionária do Irã como terrorista após repressão violenta
UE declara Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista

União Europeia declara Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista

A União Europeia tomou uma medida histórica ao incluir oficialmente a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) em sua lista de organizações terroristas em janeiro de 2026. O anúncio foi feito pela chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, representando uma resposta direta à violenta repressão aos protestos que ocorreram no país iraniano nos últimos meses.

Resposta europeia à repressão violenta

"Quando se age como terrorista, deve-se ser tratado como terrorista", declarou Kallas durante o anúncio oficial. A diplomata criticou severamente o papel desempenhado pela Guarda Revolucionária, a força militar de elite responsável por proteger o regime iraniano de ameaças internas e externas, na recente repressão às manifestações populares.

Kallas destacou que "o balanço de vítimas e os meios utilizados pelo regime são verdadeiramente aterrorizantes". Ela acrescentou que "por isso é que enviamos a mensagem de que, quando se reprimem as pessoas, isso tem um preço e merece sanções". Esta decisão representa um endurecimento significativo da posição europeia em relação ao regime iraniano.

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História e estrutura da Guarda Revolucionária

A Guarda Revolucionária foi criada imediatamente após a Revolução Iraniana de 1979, quando islamistas derrubaram o governo apoiado pelo Ocidente. Sua missão original era proteger o então embrionário regime clerical xiita, formando um importante contrapeso aos militares convencionais do Irã, cujos integrantes eram vistos como leais ao xá exilado.

A unidade operou inicialmente como força doméstica, mas expandiu-se rapidamente após a invasão do Iraque em 1980. O aiatolá Ruhollah Khomeini concedeu ao grupo suas próprias forças terrestre, naval e aérea, estabelecendo uma estrutura militar paralela que hoje responde diretamente ao líder supremo Ali Khamenei.

Embora o Irã nunca tenha divulgado números oficiais, estimativas do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos indicam que a IRGC conta com aproximadamente 125 mil homens. A organização é considerada um "Estado dentro do Estado", com influência que vai muito além das funções militares.

Um império econômico e militar

A Guarda Revolucionária desenvolveu-se como o pilar mais poderoso da liderança iraniana, controlando:

  • Tropas próprias para Exército, Marinha e Aeronáutica
  • Unidades especiais para missões no exterior
  • A Basij, milícia paramilitar formada por voluntários que patrulha mesquitas e reprime civis
  • Um exército cibernético e centro de monitoramento
  • Serviço secreto próprio que reporta diretamente a Khamenei

Nas últimas décadas, a organização ampliou dramaticamente sua influência sobre a economia iraniana através do conglomerado Khatam-al-Anbia, fundado no final dos anos 1980 para reconstruir o país no pós-guerra. Atualmente, a Guarda Revolucionária:

  1. Fabrica automóveis e constrói infraestrutura como represas, estradas e ferrovias
  2. Controla setores estratégicos como gás, petróleo, mineração e farmacêutico
  3. Atua informalmente no mercado imobiliário e em atividades de contrabando

Sanções internacionais crescentes

A designação como organização terrorista pela União Europeia segue precedentes estabelecidos por outros países:

  • Estados Unidos: designou a IRGC como terrorista em 2019 durante o governo Trump
  • Canadá: seguiu o exemplo em 2024
  • Austrália: adotou medida similar em 2025 após ataque a sinagoga em Melbourne

Na União Europeia, essa designação era anteriormente limitada apenas a alguns oficiais do alto escalão da instituição. O Parlamento Europeu já havia aprovado uma resolução solicitando a inclusão completa em 2023, mas a decisão final dependia dos Estados-membros. A violenta repressão aos protestos recentes inclinou finalmente o bloco europeu a adotar esta medida punitiva.

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Atuação internacional e conflitos regionais

A brigada Quds da Guarda Revolucionária é responsável por missões no exterior, com o objetivo declarado de apoiar grupos ideologicamente próximos do Irã. Esta força estruturou o que se conhece como "Eixo da Resistência", uma aliança informal que inclui:

  • Forças xiitas no Iraque
  • Apoio ao regime de Bashar al-Assad na Síria
  • Hezbollah no Líbano
  • Milícia houthi no Iêmen
  • Grupo Hamas na Faixa de Gaza
  • Organizações no Afeganistão e Paquistão

Estes grupos se apresentam como "resistência" à influência dos Estados Unidos e de Israel na região, seguindo a política externa estabelecida por Ruhollah Khomeini, que fez do apoio à causa palestina e da eliminação de Israel elementos centrais da política iraniana.

Conflito direto com Israel

Irã e Israel têm travado uma guerra indireta há anos, mas em 2024 passaram a se atacar diretamente, na esteira dos conflitos na Faixa de Gaza e contra o Hezbollah no Líbano. Em junho de 2025, Israel lançou um pesado ataque contra o Irã, considerado o pior infligido ao país desde a guerra com o Iraque em 1980.

Entre as vítimas deste ataque estava Hossein Salami, de 65 anos, chefe da Guarda Revolucionária iraniana desde 2019. Oficial experiente que integrava a organização praticamente desde sua fundação, sua morte representou um golpe significativo para a estrutura de comando da força militar de elite.

A designação europeia como organização terrorista ocorre neste contexto de escalada regional, representando mais uma pressão internacional sobre o regime iraniano e suas instituições militares e paramilitares.