Apelo de Trump por missão naval no Estreito de Hormuz é rejeitado por aliados europeus e outros países
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta uma significativa resistência internacional após fazer um apelo público para que outros países enviem navios de guerra ao Estreito de Hormuz, com o objetivo de escoltar petroleiros na região estratégica. A proposta, divulgada através de sua rede social Truth Social no sábado (14), não obteve adesão imediata, revelando as divisões na comunidade internacional em meio ao conflito com o Irã.
Rejeição imediata de governos europeus e aliados
Nesta segunda-feira (16), governos do Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália rejeitaram formalmente a proposta norte-americana. Enquanto isso, Japão e Coreia do Sul afirmaram que ainda analisam a possibilidade de participar de uma missão desse tipo, mantendo uma postura cautelosa diante da complexa situação geopolítica.
No sábado, Trump havia defendido em suas redes sociais que seria do interesse de países como China, França, Japão e Coreia do Sul manter aberta a passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A importância do estreito para a economia global é inegável, tornando qualquer interrupção em sua navegação uma ameaça direta ao abastecimento energético mundial.
Estratégia iraniana de instabilidade no mercado de petróleo
Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, há pouco mais de duas semanas, a principal estratégia iraniana tem sido provocar instabilidade no mercado global de petróleo. A interrupção parcial da circulação no estreito obrigou diversos países a recorrerem a reservas emergenciais de energia, criando uma crise que se espalha por continentes.
A expectativa de Teerã é que a pressão econômica internacional leve o mundo a exigir o fim do conflito, garantindo a sobrevivência do regime islâmico. No entanto, com a campanha aérea contra o país em andamento, o resultado ainda é incerto e as tensões continuam a escalar diariamente.
Trump eleva o tom e critica aliados da Otan
Sem obter resposta positiva ao longo do fim de semana, Donald Trump elevou significativamente o tom de suas declarações. Em entrevista ao jornal Financial Times no domingo (15), o presidente americano afirmou que a falta de apoio europeu "será muito ruim para o futuro da Otan", demonstrando sua frustração com a postura de aliados tradicionais.
Os Estados Unidos lideram a aliança militar criada em 1949, formada também pelo Canadá e por cerca de 30 países europeus. Desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump tem pressionado aliados da organização, argumentando que eles dependem excessivamente de Washington para sua segurança. Esta não é a primeira vez que o presidente americano adota uma postura crítica em relação aos parceiros da Otan.
Isolamento internacional e tentativas de envolvimento da China
No atual conflito com o Irã, Trump atua praticamente isolado ao lado do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Diversos países europeus criticaram a ofensiva militar, defendendo que a diplomacia seria o melhor caminho para lidar com Teerã, criando uma divisão clara nas abordagens internacionais.
Apesar das críticas, o agravamento da crise energética global pressiona os governos europeus. Para evitar uma disparada ainda maior no preço do petróleo, os Estados Unidos chegaram a flexibilizar parcialmente sanções sobre o petróleo russo, que financia a guerra conduzida por Vladimir Putin, demonstrando a complexidade das relações internacionais em meio ao conflito.
Trump também tenta envolver a China no cenário, apesar do país asiático ser rival estratégico de Washington e responsável pela compra de grande parte do petróleo iraniano. Na sexta-feira (13), forças americanas atacaram a ilha de Kharg, um dos principais centros de produção de petróleo do Irã, embora os terminais de exportação não tenham sido destruídos.
Mudança no discurso iraniano e ataques contínuos
Enquanto isso, o Irã também tenta administrar o conflito de forma estratégica. Logo após o início da guerra, o país anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz e iniciou ataques contra navios e instalações petrolíferas de países árabes da região. No entanto, nos últimos dias, o discurso iraniano mudou significativamente.
Autoridades passaram a afirmar que o estreito estaria fechado apenas para Estados Unidos, Israel e seus aliados. "Do nosso ponto de vista, o estreito está aberto", afirmou nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Como gesto de aparente normalidade, Teerã permitiu a passagem de um petroleiro paquistanês transportando petróleo dos Emirados Árabes Unidos.
Ataques continuam apesar de discurso de abertura
Apesar da mudança retórica, o Irã mantém ataques com mísseis e drones em diferentes pontos do Oriente Médio. Também nesta segunda-feira, um bombardeio atingiu o terminal petrolífero de Fujairah, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos. O porto tem importância estratégica porque recebe o único oleoduto do país que contorna o Estreito de Hormuz.
Após o ataque, as operações de embarque foram suspensas imediatamente. Os Emirados Árabes Unidos têm sido um dos principais alvos da retaliação iraniana, registrando mais ataques do que Israel até o momento. Nesta mesma segunda-feira, o aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo em tempos de paz, foi fechado após um drone iraniano explodir um tanque de combustível próximo ao terminal.
Declaração oficial do chanceler iraniano
O chanceler iraniano foi enfático em suas declarações à mídia estatal: "Estreito de Hormuz está aberto para todos, menos para aliados dos EUA". Araghchi detalhou que a travessia estaria bloqueada "apenas para petroleiros e navios de inimigos e os aliados deles", acrescentando que "os outros navios têm passagem livres, mas podem optar desviar por questões de segurança".
Esta posição representa uma tentativa clara do Irã de isolar os Estados Unidos e Israel internacionalmente, enquanto mantém canais abertos com outros países. A situação continua extremamente volátil, com a comunidade internacional observando atentamente os desenvolvimentos no estratégico Estreito de Hormuz.
