Em uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (24) no Salão Oval da Casa Branca, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou com veemência sua convicção de que venceu o conflito contra o Irã, mesmo diante da persistência de ataques iranianos e da negação categórica de Teerã sobre a existência de quaisquer negociações de paz.
Declarações contraditórias em meio a escalada de tensões
Durante a cerimônia que oficializou a posse do novo secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, Trump respondeu a perguntas de repórteres e fez alegações surpreendentes sobre um suposto acordo com a República Islâmica. "Eles concordam em nunca ter uma arma nuclear. Eu não quero me adiantar, mas eles concordaram, eles nunca terão uma arma nuclear", declarou o republicano, sem fornecer detalhes sobre como essas conversas estariam sendo conduzidas ou por quais representantes exatamente.
Mencionou envolvidos sem confirmação oficial
O ex-presidente citou nomes como seu genro, Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff, o vice-presidente J. D. Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, como possíveis participantes nas negociações. No entanto, essas afirmações não foram corroboradas por fontes oficiais iranianas ou por comunicados da Casa Branca, levantando dúvidas sobre a veracidade das alegações.
Paralelamente, o Irã continuou a lançar projéteis contra alvos em Tel Aviv, além de atacar o Kuwait, o Bahrein e a Arábia Saudita, aliados árabes de Washington na região. Essas ações militares contradizem diretamente a narrativa de Trump sobre um conflito resolvido e negociações em andamento.
Mudança de regime como objetivo declarado
Trump também revisitou o tema da mudança de regime no Irã, um dos objetivos iniciais da guerra que havia sido gradualmente abandonado na comunicação oficial. "Nós temos mudança de regime, essa é uma mudança no regime, porque os líderes são todos muito diferentes daqueles que criaram todos esses problemas. Então acho que podemos dizer que isso é uma mudança de regime, certo?", questionou aos jornalistas.
Em seguida, fez declarações ainda mais contundentes: "Nós matamos toda a liderança deles. Depois escolheram novos líderes e matamos todos. Agora temos um novo grupo, e podemos fazer isso facilmente [de novo], mas vamos ver como eles se saem". Essas afirmações destacam a postura agressiva e a retórica belicosa que caracterizaram sua abordagem em relação ao Irã.
Presente misterioso e alegações não detalhadas
Referindo-se novamente às supostas negociações, Trump afirmou que a República Islâmica "deu um presente" para os Estados Unidos na segunda-feira anterior. "Eles vão fazer um acordo. Na verdade eles fizeram algo ontem que foi incrível, eles nos deram um presente, que chegou hoje, e foi um presente muito grande, com um valor monetário tremendo", disse, sem revelar a natureza do presente.
Posteriormente, mencionou que o presente tinha relação com petróleo, gás e o estreito de Hormuz, que foi bloqueado por Teerã após os ataques americanos e israelenses. No entanto, a falta de especificidades e a ausência de confirmação por fontes independentes deixam essas alegações envoltas em mistério e ceticismo.
Contexto regional e reações internacionais
Enquanto Trump fazia suas declarações otimistas, a realidade no terreno mostrava uma escalada contínua das hostilidades. Os ataques iranianos a Israel e aos aliados árabes dos EUA sublinham a complexidade e a volatilidade da situação no Oriente Médio, desafiando a narrativa de uma vitória consolidada.
As negativas persistentes de Teerã sobre qualquer diálogo com Washington, combinadas com as ações militares em curso, pintam um quadro muito diferente do apresentado pelo ex-presidente, levantando questões sobre a precisão de suas informações e a estratégia de comunicação adotada.



