Retomada parcial de voos no Oriente Médio permite início de evacuações de viajantes presos
Retomada parcial de voos no Oriente Médio permite evacuações

Retomada parcial de voos no Oriente Médio permite início de evacuações de viajantes presos

Milhares de viajantes que estavam presos no Oriente Médio por causa do conflito armado começam a retornar a seus países nesta terça-feira, 3 de março de 2026, com a reabertura parcial do espaço aéreo na região. A ofensiva aérea conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no final de semana, que gerou ações de represália por parte de Teerã, levou ao fechamento do espaço aéreo de vários países, criando um caos aéreo sem precedentes.

Impacto massivo nos voos e passageiros

De acordo com a empresa de análise do setor aéreo Cirium, ao menos 12.903 voos foram cancelados entre sábado e segunda-feira — o que representa cerca de 40% das conexões previstas no período. A Cirium estima que a malha aérea da região movimenta aproximadamente 900 mil assentos por dia, indicando que o número de viajantes impactados supera a marca de 1 milhão de pessoas.

No domingo, praticamente todos os voos com partida dos Emirados Árabes Unidos foram suspensos. O país abriga o Aeroporto Internacional de Dubai (DXB), o segundo maior do mundo em número de passageiros. Na segunda-feira, o índice de cancelamentos caiu para 93,5%, com a retomada parcial das atividades em Dubai e Abu Dhabi.

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Retomada gradual e operações limitadas

Na manhã desta terça-feira, vários voos emiradenses voltaram a decolar, conforme dados do site Flightradar24. A Royal Jordanian manteve diversas operações em Amã, mas os voos desviaram pelo sul da Jordânia para evitar o espaço aéreo israelense. Apenas algumas companhias aéreas, como a Emirates, a companhia de baixo custo Flydubai e a russa Aeroflot, conseguiram operar voos limitados.

Arábia Saudita e Omã mantiveram seus espaços aéreos abertos e têm sido utilizados como rotas alternativas para conexões de longa distância entre Europa e Ásia, servindo como pontos cruciais para a logística de evacuação.

Operações de repatriação internacional

Diante do cenário caótico, vários países organizaram voos especiais para retirar seus cidadãos dos países afetados pelo conflito. Entre as nações que iniciaram operações de repatriação estão:

  • França: O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que cerca de 400 mil franceses vivem na região e que o governo está coordenando esforços para sua evacuação.
  • Alemanha: Anunciou o envio de aeronaves para a Arábia Saudita e Omã com o objetivo de repatriar passageiros considerados mais vulneráveis. A Associação de Turismo alemã estima que aproximadamente 30 mil cidadãos do país estejam na região.
  • Itália: Aeroportos de Roma e Milão aguardam a chegada de três voos com cidadãos resgatados, demonstrando a escala internacional do esforço de evacuação.
  • Índia e República Tcheca: Também estão entre os países que organizaram voos especiais para retirar seus nacionais.

Companhias aéreas mantêm suspensões

Apesar da retomada parcial, diversas companhias aéreas internacionais mantiveram suas operações no Oriente Médio suspensas para os próximos dias. Entre as empresas que continuam com voos cancelados estão:

  1. Air France
  2. British Airways
  3. LOT Polish Airlines
  4. Norwegian Air Shuttle
  5. SAS Scandinavian Airlines

Ainda não há previsão para a normalização total do tráfego aéreo na região, com as companhias adotando uma postura cautelosa diante da instabilidade geopolítica.

Contexto do conflito e impacto humano

O fechamento do espaço aéreo na região se deu em meio à ofensiva dos EUA e Israel contra o território iraniano. Em resposta, Teerã lançou centenas de mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo, danificando bases americanas, aeroportos e infraestruturas essenciais ligadas ao setor petrolífero.

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O Crescente Vermelho, que faz parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, divulgou na terça-feira um balanço apontando que 787 pessoas morreram no Irã desde o início do conflito, e que mais de mil bombardeios foram lançados contra 153 cidades iranianas. Em paralelo, Israel registrou pelo menos 10 mortos, enquanto os ataques retaliatórios iranianos mataram cinco pessoas em países do Golfo. Além disso, os Estados Unidos perderam quatro soldados na operação de sábado.

Este cenário representa um sério desafio para o sistema de defesa aérea do Oriente Médio e continua a impactar profundamente a vida de milhões de pessoas, tanto residentes quanto viajantes internacionais que se encontram presos em meio ao conflito.