Presidente do Líbano alerta que ataques de Israel são prenúncio de invasão completa
O presidente do Líbano, o general Joseph Aoun, afirmou neste domingo (22) que os ataques de Israel à infraestrutura do país são um "prenúncio" de uma invasão completa ao território libanês. Ele também destacou que Israel tenta criar uma "zona-tampão" com ataques a pontes no sul do país, intensificando as tensões na região.
Operações terrestres limitadas já em curso
O Exército de Israel anunciou no dia 16 o início de "operações terrestres limitadas" no sul do Líbano contra o grupo terrorista libanês Hezbollah. Na prática, essa ação configura uma invasão de território, que já fez com que 1 milhão de libaneses tivessem que deixar suas casas, segundo dados do governo libanês.
Em comunicado, Israel afirmou que a operação terrestre tem como objetivo "estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada" com a destruição de infraestrutura do Hezbollah na região. "Essa atividade faz parte de esforços defensivos mais amplos para estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada, que inclui o desmantelamento de infraestrutura terrorista e a eliminação de terroristas que operam na região, a fim de criar uma camada adicional de segurança para os moradores do norte de Israel", explicou o Exército.
Contexto da escalada bélica
A operação ocorre dias após o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ter ameaçado "tomar territórios" no Líbano caso o Hezbollah não parasse com os ataques contra Israel. Na semana passada, Katz também disse que ordenou que o Exército se preparasse para "expandir" as operações no país vizinho.
Soldados israelenses já operam ao longo da fronteira entre os dois países, e Israel vinha acumulando tropas e tanques de guerra no local nas últimas semanas. Há relatos de presença de operações terrestres em cidades libanesas no extremo sul do país, embora Israel só tenha admitido oficialmente a ação recentemente.
Impactos humanitários e números do conflito
Israel e Hezbollah retomaram no início de março a guerra entre eles, que estava sob cessar-fogo desde novembro de 2024. A nova escalada ocorreu por conta de outro conflito, entre EUA, Israel e Irã, que eclodiu dia 28 de fevereiro. O grupo libanês é aliado do regime iraniano.
Desde então, além das investidas terrestres, Israel realiza bombardeios diários contra o Líbano, principalmente na capital Beirute. O Exército israelense afirma já ter realizado ataques aéreos contra mais de 1.000 alvos do Hezbollah em território libanês. Já o grupo terrorista tem realizado bombardeios coordenados com o Irã contra o território israelense.
A guerra entre Israel e Hezbollah já deixou 886 mortos no Líbano, e 1 milhão de pessoas foram deslocadas à força, segundo o governo libanês. O anúncio desta segunda-feira ocorre após relatos de combates entre forças israelenses e do Hezbollah em cidades no extremo sul do Líbano, marcando uma fase crítica no conflito.



