Otan debate reabertura do Estreito de Ormuz após pressão de Trump e bloqueio iraniano
Otan debate reabertura do Estreito de Ormuz após pressão de Trump

Otan busca solução para crise no Estreito de Ormuz após pressão de Trump e bloqueio iraniano

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, confirmou nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, que os estados-membros da aliança militar estão em negociações intensas para avaliar a melhor forma de reabrir o Estreito de Ormuz. A declaração ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusar publicamente as nações da organização de cometer um erro muito estúpido ao se recusarem a garantir a segurança dessa rota estratégica vital.

Pressão americana e resistência dos aliados

Estive em contato com muitos aliados. Todos concordamos, é claro, que o estreito precisa ser reaberto. E o que sei é que os aliados estão trabalhando juntos, discutindo como fazer isso e qual a melhor forma de fazê-lo, afirmou Rutte em pronunciamento oficial. A rota, fundamental para o comércio global de petróleo, foi parcialmente bloqueada pelo Irã como retaliação ao ataque conjunto promovido pela coalizão EUA-Israel em 28 de fevereiro.

Buscando desobstruir a passagem, Trump tem instado países aliados a enviar navios de guerra para escoltar os petroleiros que trafegam pela região, mas encontrou resistência significativa. Parceiros históricos de Washington, como Alemanha, Itália e Grécia, já declararam na segunda-feira, 16 de março, que não vão participar de operações militares contra o Irã. O presidente francês, Emmanuel Macron, adotou postura semelhante, afirmando categoricamente que nunca participaria de operações no contexto atual.

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Retórica contraditória de Trump e alternativas em discussão

Em resposta às recusas, Trump adotou uma retórica exaltada e contraditória nas suas redes sociais. Inicialmente, afirmou que Washington não precisa de ajuda e criticou a Otan como uma via de mão única, dizendo: Nós os protegemos, mas eles não farão nada por nós, especialmente em tempos de necessidade. Porém, nesta quarta-feira, o presidente americano pareceu mudar de posição, sugerindo que os Estados Unidos poderiam abandonar completamente a situação, delegando a responsabilidade pela segurança do Estreito de Ormuz a outros países.

Eu me pergunto o que aconteceria se 'acabássemos' com o que resta do Estado terrorista iraniano e deixássemos os países que o utilizam – e não nós – responsáveis pelo chamado 'Estreito'. Isso despertaria alguns dos nossos 'aliados' indiferentes, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. Enquanto isso, o Irã tenta usar seu controle sobre a passagem marítima para forçar a comunidade internacional a pressionar Estados Unidos e Israel pelo fim do conflito.

Impacto econômico global e ações militares

O bloqueio do Estreito de Ormuz já causa sérios impactos na economia mundial. Aproximadamente 14 milhões de barris de petróleo passam pela rota diariamente, e a queda no fornecimento levou a uma disparada nos preços. O barril de Brent, referência internacional, tem sido negociado acima de US$ 100 devido à obstrução, definida pela Agência Internacional de Energia (AIE) como a maior crise do tipo na história.

Buscando alternativas para o impasse, as Forças Armadas americanas anunciaram um ataque com bombas antibunker de grande porte contra bases do Irã ao longo da costa do estreito na terça-feira, 17 de março. No mesmo dia, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que os navios começaram a passar aos poucos pela rota, expressando otimismo para uma resolução em breve: Já se vê petroleiros começando a passar lentamente pelo estreito, e acho que isso é um sinal do quão pouco resta ao Irã. Estamos muito otimistas de que isso vai acabar em breve.

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Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, havia declarado que o bloqueio só era válido para navios dos Estados Unidos, Israel e seus aliados, mantendo a rota aberta para embarcações de bandeiras não alinhadas a Washington. A situação permanece tensa, com a Otan tentando equilibrar a pressão americana, a resistência dos aliados europeus e a necessidade urgente de normalizar o fluxo de petróleo global.