Kim Jong-un reforça arsenal nuclear e ameaça Coreia do Sul em discurso inflamado
O presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, afirmou nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, que fortalecerá o programa nuclear do país de forma "irreversível", marcando uma postura mais austera em relação à Coreia do Sul. Em discurso na Assembleia Popular Suprema, o ditador acusou os Estados Unidos de "terrorismo de Estado e agressão", em referência à guerra no Oriente Médio desencadeada após ataques dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro.
Reeleição e retórica belicosa
Na mesma data, Kim foi reeleito presidente de Assuntos de Estado da República Popular Democrática da Coreia, o mais alto cargo político do país. Ele utilizou a plataforma para celebrar a expansão do arsenal nuclear de Pyongyang nos últimos anos, chamando-a de escolha "certa" para enfrentar as "ambições hegemônicas" de "gangsters" — termo que normalmente se refere aos Estados Unidos e outros países ocidentais.
Kim declarou: "A dignidade da nação, seus interesses nacionais e sua vitória final só podem ser garantidos pelo poder mais forte. O governo de nossa república continuará a consolidar nosso status absolutamente irreversível como potência nuclear e travará uma luta agressiva contra as forças hostis para esmagar suas provocações e planos anti-Coreia do Norte."
Ameaças diretas à Coreia do Sul
O líder norte-coreano anunciou que designará "a Coreia do Sul como o Estado mais hostil" e advertiu que fará o vizinho "pagar sem piedade" em qualquer sinal de hostilidade. Em resposta, Seul definiu as ameaças como "indesejáveis para a coexistência pacífica", conforme relatado pela agência de notícias Yonhap.
A agência de notícias estatal KCNA descreveu Kim como "o mais proeminente pensador e teórico do mundo atual, o grande estrategista da construção do Estado e o grande mestre da criação e da mudança". No poder desde 2011, ele representa a terceira geração da dinastia que governa a Coreia do Norte desde sua fundação por Kim Il-sung em 1948.
Panorama nuclear global
Enquanto isso, o cenário nuclear mundial permanece tenso. Um relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) divulgado no ano passado mostrou que:
- Rússia e EUA possuem juntos cerca de 90% de todas as armas nucleares.
- Seus estoques militares (ogivas utilizáveis) parecem ter permanecido relativamente estáveis em 2024.
- Ambos os países estão implementando extensos programas de modernização que podem aumentar o tamanho e a diversidade de seus arsenais no futuro.
Segundo o SIPRI, os números estimados de ogivas nucleares são:
- Rússia: 5.580
- Estados Unidos: 5.328
- China: 500
- França: 290
- Reino Unido: 225
- Índia: 172
- Paquistão: 170
- Israel: 90
- Coreia do Norte: 50
Este contexto global ressalta a gravidade das declarações de Kim Jong-un, que buscam posicionar a Coreia do Norte como uma potência nuclear consolidada, mesmo com um arsenal significativamente menor do que os principais atores internacionais.



