Conflito no Irã: mais de 2.400 mortos em ataques, incluindo 206 crianças
Irã: mais de 2.400 mortos em ataques, 206 crianças entre vítimas

Conflito no Irã atinge marca trágica com mais de 2.400 mortos

A violência no Irã já resultou em pelo menos 2.441 mortos, de acordo com dados divulgados pela Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), organização sediada nos Estados Unidos. O número alarmante inclui 1.319 civis, entre os quais 206 eram menores de idade, além de 1.122 militares.

Metodologia e fontes da HRANA

A organização utiliza relatórios oficiais de autoridades de saúde, emergência e defesa civil, além de outras fontes confiáveis dentro do território iraniano para compilar suas estatísticas. Outras 599 mortes foram confirmadas pela HRANA, mas as identidades dessas vítimas ainda não puderam ser determinadas, indicando a complexidade e o caos da situação.

Últimas 24 horas e distribuição geográfica

Nas últimas 24 horas, 21 pessoas morreram, todas civis, incluindo um menor, em 285 ataques registrados em 18 das 31 províncias iranianas. Pela primeira vez em 16 dias de bombardeios, Teerã não lidera a lista das províncias mais atingidas, aparecendo em segundo lugar. A província de Isfahan, no centro do país, assumiu a triste posição de liderança, onde as autoridades locais registraram 15 mortos em um ataque contra um centro industrial no sábado.

Divergência com números oficiais e contexto dos protestos

Os últimos números divulgados pelo Ministério da Saúde do Irã indicam 1.200 mortos e cerca de 10 mil feridos, uma cifra significativamente menor que a apurada pela HRANA. Esta agência tem se destacado por buscar medir com precisão a dimensão da repressão violenta aos protestos antigovernamentais na República Islâmica do Irã. Em janeiro, a entidade informou que pelo menos 7.002 pessoas morreram ou desapareceram durante as manifestações, mais que o dobro dos 3.117 reconhecidos oficialmente, além de mais de 50 mil detidos.

A onda de protestos começou em 28 de dezembro, em Teerã, inicialmente com comerciantes e setores econômicos afetados pela queda do rial, a moeda nacional, e pela alta inflação. Rapidamente, os protestos se espalharam por centenas de cidades do país, gerando uma revolta popular contra a teocracia de Teerã.

Reações internacionais e posicionamento dos EUA

Após a revolta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu aos manifestantes iranianos que a ajuda estava “a caminho”. No entanto, desde a ofensiva conjunta com Israel, Trump tem sido mais cauteloso quanto ao objetivo de mudança de regime. Tanto ele quanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu têm repetido que os ataques militares buscam criar condições para que os iranianos se levantem contra as autoridades do país.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país “não vê motivos para negociar” com os Estados Unidos, após Trump ter indicado que Teerã deseja um acordo para encerrar a guerra. O presidente norte-americano, por sua vez, descartou no sábado a possibilidade de um acordo neste momento, declarando: “O Irã quer fazer um acordo, e eu não quero, porque os termos do acordo ainda não são suficientemente bons”.

Expansão do conflito e impactos regionais

O Irã rejeitou até agora qualquer discussão para estabelecer um cessar-fogo no conflito, que se espalhou pela região e reacendeu a guerra no Líbano. Isso ocorreu após o grupo xiita Hezbollah entrar no conflito em apoio ao seu aliado em Teerã e iniciar ataques contra Israel.

Em resposta à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra Israel e países vizinhos, mirando especialmente bases militares e interesses norte-americanos, além de infraestruturas econômicas, sobretudo no setor de energia. Simultaneamente, colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, o que fez o preço do barril subir para cerca de 100 dólares.

Situação interna e liderança iraniana

Na sexta-feira, alguns dos principais líderes do regime iraniano marcharam no centro de Teerã em desafio aos ataques israelo-americanos, mas o novo líder supremo não apareceu. Mojtaba Khamenei teria sido ferido, segundo diversos relatos de fontes ligadas ao regime iraniano, no mesmo bombardeio que matou seu pai e antecessor, Ali Khamenei, e não é visto em público há vários dias.

O chefe da diplomacia de Teerã afirmou no sábado que “não há qualquer problema” com Mojtaba Khamenei, que “está cumprindo seus deveres de acordo com a Constituição e continuará a fazê-lo”. Esta declaração busca acalmar rumores sobre a saúde do líder, em meio a um cenário de instabilidade e incerteza.