Irã reabre e fecha Estreito de Ormuz em questão de horas, atacando navios indianos
A tensão no Estreito de Ormuz atingiu um novo patamar neste sábado (18), quando o Irã anunciou o fechamento da crucial rota marítima poucas horas após tê-la reaberto, seguido por um ataque a dois petroleiros indianos. A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado afirmando que embarcações e seus proprietários devem seguir apenas as notícias divulgadas pela própria Marinha iraniana, desconsiderando completamente as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o estreito, que classificou como "sem validade".
Controle iraniano e negociações com mediação paquistanesa
Simultaneamente, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã revelou que, após mediação do Paquistão, os Estados Unidos apresentaram novas propostas, mas o país ainda não deu uma resposta oficial. O Conselho Supremo do Irã deixou claro que está determinado a controlar o Estreito de Ormuz até o fim do conflito, incluindo o pagamento de custos de segurança para a rota marítima.
Essas declarações ocorrem em resposta às afirmações de Donald Trump, que disse que "conversas muito boas estão acontecendo" com o Irã e que o país do Oriente Médio não irá chantagear os Estados Unidos. O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia confirmou que a passagem permanece sob controle rigoroso das Forças Armadas iranianas e que continuará bloqueando o trânsito enquanto o bloqueio americano aos portos iranianos estiver em vigor.
Reversão da reabertura e ataque a navios indianos
O Irã reverteu decisivamente a abertura do Estreito de Ormuz, reimpôs restrições à via navegável e, em um movimento agressivo, lanchas iranianas dispararam contra dois petroleiros indianos que atravessavam a rota. O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido divulgou a informação, afirmando que o navio-tanque e sua tripulação estão a salvo.
O Irã confirmou o ataque através de seu perfil na rede X, explicando que disparou contra os dois navios-tanque indianos para que deixassem a rota marítima. Um dos navios é um supertanque VLCC de bandeira indiana transportando 2 milhões de barris de petróleo iraquiano. O Ministério das Relações Exteriores da Índia também confirmou o ataque a duas embarcações indianas neste sábado.
Contexto geopolítico e impacto econômico
O Estreito de Ormuz é uma das principais vias marítimas para o comércio global de petróleo, e sua interrupção nas últimas semanas fez os preços da commodity dispararem no mercado mundial. A reabertura do estreito é uma das principais reivindicações dos Estados Unidos nas negociações por um acordo de paz mediadas pelo Paquistão.
Donald Trump afirmou em um post na rede Truth Social que o bloqueio militar norte-americano, em vigor desde segunda-feira (13), continuará mesmo após o Irã anunciar a reabertura total da rota. Ele declarou que só retirará suas tropas depois que as negociações com o Irã estiverem "100% concluídas", mas insistiu que o estreito "está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego".
Envolvimento internacional e reuniões sem os EUA
No início da sexta-feira (17), os líderes da França, Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram colegas de dezenas de outros países, sem a presença dos Estados Unidos, para debater planos para a reabertura do Estreito de Ormuz. Essa movimentação internacional destaca a preocupação global com a estabilidade da rota e o impacto econômico de seu fechamento.
O novo comunicado iraniano confirma o que o país já havia anunciado na sexta-feira, dizendo que caso os Estados Unidos mantivessem o bloqueio naval imposto às embarcações que tentam entrar e sair do Irã, a passagem seria fechada. A situação permanece volátil, com o Pentágono alertando que os Estados Unidos estão "prontos para retomar combates se o Irã não aceitar acordo".



