Irã lança resposta militar após ataque coordenado de EUA e Israel
A escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel atingiu um novo patamar neste sábado (28), quando forças americanas e israelenses realizaram um ataque coordenado contra território iraniano. Como resposta imediata, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio, marcando uma perigosa intensificação do conflito que tem como pano de fundo o polêmico programa nuclear iraniano.
Explosões em múltiplas cidades e retaliação imediata
Explosões foram registradas na capital Teerã e em pelo menos outras quatro cidades iranianas durante o ataque conjunto. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que o objetivo da operação é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças. "Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear", afirmou Trump em declaração oficial. "Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear".
O programa nuclear no centro da disputa
O governo iraniano nega consistentemente possuir uma bomba nuclear, mas parte da comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), contesta essa versão. Gary Samore, ex-coordenador de controle de armas dos Estados Unidos, revelou ao Fantástico que o Irã mantém aproximadamente 400 quilos de urânio enriquecido armazenados em instalações subterrâneas - informação que o governo Trump utiliza como justificativa para os ataques.
Esta é a segunda vez em menos de um ano que os Estados Unidos atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas em apoio a Israel, que travava uma guerra contra o país. Na época, Trump afirmou que as instalações haviam sido destruídas, mas Rafael Grossi, chefe da AIEA, posteriormente declarou que os ataques causaram danos graves, embora "não totais".
Cronologia do programa nuclear iraniano
Para compreender a dimensão histórica deste conflito, é essencial revisitar a trajetória do programa nuclear iraniano:
- 1953: Golpe apoiado pelos Estados Unidos consolida o poder do xá Reza Pahlavi, tornando-o peça-chave na estratégia americana de contenção da União Soviética durante a Guerra Fria.
- 1957: Início do programa nuclear iraniano com incentivo dos Estados Unidos através do programa "Átomos para a Paz", que previa desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos.
- 1979: Revolução Islâmica derruba o xá, com os aiatolás assumindo o poder no Irã.
- 1987: O programa nuclear passa a ser usado pelo regime islâmico como trunfo contra seus inimigos, Estados Unidos e Israel.
- 2015: Irã e governo Obama chegam a um acordo histórico onde, em troca de alívio nas sanções econômicas, o país aceita limitar o enriquecimento de urânio sob controle das Nações Unidas.
- 2018: Donald Trump retira os Estados Unidos do acordo, classificando-o como "o pior de todos os tempos".
- Após 2018: Sem fiscalização internacional, o Irã retoma o programa nuclear e intensifica o enriquecimento de urânio.
- 2025: Confronto atinge novo nível com ataques americanos contra complexos nucleares de Danz, Isfahan e Fordham - este último com 2.700 centrífugas provavelmente destruídas.
- 2026: Após semanas de negociações fracassadas, americanos e israelenses lançam o ataque coordenado que desencadeou a atual crise.
Imagens revelam instalações nucleares e ataques
Imagens de satélite recentes mostram a instalação nuclear de Isfahan, no centro do Irã, com reformas visíveis nas entradas de túneis em 10 de fevereiro de 2026. Paralelamente, registros fotográficos capturaram fumaça saindo de uma base no Bahrein durante o suposto ataque de retaliação iraniano contra as forças dos EUA e Israel.
A situação permanece extremamente volátil, com temores de que esta troca de ataques possa escalar para um conflito regional mais amplo. A comunidade internacional observa com preocupação enquanto as potências envolvidas mantêm posições firmes sobre o futuro do programa nuclear iraniano e a segurança na região do Oriente Médio.



