Irã adverte EUA durante exercício militar e negociações nucleares tensas em Genebra
Irã adverte EUA em meio a exercício militar e negociações nucleares

Irã desafia EUA com exercício militar durante negociações nucleares tensas

O líder supremo do Irã emitiu uma advertência contundente nesta terça-feira, afirmando que todas as tentativas dos Estados Unidos para derrubar seu governo estão fadadas ao fracasso. A declaração ocorre no momento em que Washington e Teerã iniciam negociações indiretas em Genebra sobre sua prolongada disputa nuclear, enquanto o contingente militar norte-americano no Oriente Médio recebe reforços significativos.

Exercício militar fecha parte do Estreito de Ormuz

Apenas algumas horas após o início das delicadas conversações, a agência de notícias semioficial iraniana Fars divulgou informações alarmantes: partes do estratégico Estreito de Ormuz serão temporariamente fechadas devido a "precauções de segurança". O motivo é um exercício militar conduzido pela Guarda Revolucionária iraniana nesta que é a rota de exportação de petróleo mais importante do planeta.

Teerã já havia ameaçado anteriormente bloquear o estreito para o transporte comercial caso sofresse ataques, uma medida que poderia impedir a passagem de um quinto do fluxo global de petróleo e causar aumentos drásticos nos preços do petróleo bruto em mercados internacionais.

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Contexto de tensões militares e diplomáticas

Os Estados Unidos, que participaram junto com Israel do bombardeio às instalações nucleares iranianas em junho, enviaram uma força de combate adicional para a região. O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou publicamente que uma "mudança de regime" no Irã poderia ser extremamente benéfica.

Nas negociações em Genebra, participam os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, acompanhados pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi. As conversas estão sendo mediadas por Omã, conforme revelou uma fonte bem informada à agência Reuters.

Donald Trump afirmou que estaria envolvido "indiretamente" nas negociações e expressou sua crença de que Teerã deseja realmente chegar a um acordo. "Não acho que eles queiram as consequências de não fazer um acordo", declarou o presidente norte-americano a repórteres a bordo do Air Force One na segunda-feira.

Declarações provocativas do líder supremo iraniano

Logo após o início das negociações, a mídia iraniana divulgou declarações do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, que utilizou linguagem combativa para responder às ameaças norte-americanas. "O presidente dos EUA diz que seu exército é o mais forte do mundo, mas o exército mais forte do mundo às vezes pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar", afirmou Khamenei.

Uma autoridade de alto escalão iraniana revelou à Reuters que o sucesso das negociações em Genebra depende fundamentalmente de dois fatores: que os Estados Unidos não apresentem exigências irrealistas e que demonstrem seriedade genuína em suspender as sanções econômicas que têm prejudicado gravemente a economia iraniana.

Histórico de confrontos e programa nuclear

Washington e Teerã haviam programado realizar a sexta rodada de negociações em junho do ano passado, quando Israel, aliado estratégico dos EUA, lançou uma campanha de bombardeios contra o Irã. A essa ofensiva juntaram-se bombardeires B-2 norte-americanos que atacaram alvos nucleares iranianos.

Desde esses eventos, o Irã afirma ter suspendido suas atividades de enriquecimento de urânio. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, declarou que as posições de Teerã sobre a questão nuclear, o levantamento das sanções e uma estrutura para qualquer entendimento futuro foram formalmente transmitidas ao lado norte-americano.

Preparações militares e contexto regional

A reunião diplomática ocorreu na residência do embaixador de Omã na ONU, em Genebra, sob forte esquema de segurança. Do lado de fora do local, eram visíveis veículos com placas diplomáticas iranianas, evidenciando a natureza delicada do encontro.

As Forças Armadas dos Estados Unidos estão se preparando ativamente para a possibilidade de semanas de operações militares contra o Irã, caso o presidente Trump ordene um ataque, conforme revelaram duas autoridades americanas à Reuters.

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Washington e seu aliado próximo Israel mantêm a convicção de que o Irã aspira construir uma arma nuclear que poderia ameaçar a existência do Estado israelense. O governo iraniano, por sua vez, insiste que seu programa nuclear é exclusivamente pacífico, embora tenha enriquecido urânio a níveis muito superiores aos necessários para geração de energia e próximos dos requeridos para uma bomba atômica.

Crise interna e pressões internacionais

Desde os ataques de junho, os governantes islâmicos do Irã enfrentam sérias dificuldades internas, com protestos de rua sendo reprimidos a um custo de milhares de vidas. Essas manifestações são alimentadas por uma crise no custo de vida, agravada em parte pelas sanções internacionais que estrangularam a receita petrolífera do país.

O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que garante aos países o direito de desenvolver energia nuclear civil em troca da renúncia às armas atômicas e da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica, órgão nuclear da ONU.

Israel, que não assinou o TNP, mantém uma política ambígua de décadas, sem confirmar nem negar a posse de armas nucleares, estratégia destinada a dissuadir potenciais inimigos na região conturbada do Oriente Médio.