Guerra no Líbano: uma sala de aula de crianças mortas ou feridas diariamente
O conflito armado no Líbano está ferindo ou matando o equivalente a uma sala de aula cheia de crianças a cada dia, além de roubar de milhares de menores qualquer senso de normalidade desde que as hostilidades começaram há duas semanas. O alerta foi feito pelo vice-diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ted Chaiban, em entrevista concedida nesta terça-feira (17 de março de 2026).
Dados alarmantes do Ministério da Saúde libanês
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 111 crianças foram mortas e 334 ficaram feridas em ataques israelenses no território libanês desde o dia 2 de março. Essa data marca o momento em que o grupo armado Hezbollah se juntou à guerra regional, iniciando disparos contra o território israelense.
Os números equivalem a quase 30 crianças vítimas por dia, um cenário que Chaiban descreveu com gravidade: "É uma sala de aula de crianças por dia desde o início da guerra que é morta ou ferida no Líbano".
Contexto regional e preço terrível pago pelas crianças
As mortes de crianças no Líbano integram um trágico panorama regional, com cerca de 1.200 menores falecidos nas últimas semanas em diversos países. Os dados incluem aproximadamente 200 no Irã, quatro em Israel e uma no Kuwait.
"Elas pagaram um preço terrível. E a primeira coisa que estamos pedindo é uma redução da tensão, um caminho político para essa guerra", afirmou Chaiban à agência de notícias Reuters, durante sua visita a Beirute.
Posição israelense e impacto humanitário amplo
Israel, por sua vez, defende que não tem civis como alvo deliberado e que seus avisos prévios oferecem tempo suficiente para a evacuação de áreas antes dos ataques. No entanto, os bombardeios israelenses já resultaram na morte de mais de 900 pessoas no Líbano desde o início de março, conforme registros libaneses.
As ordens de retirada emitidas pelo Exército israelense deslocaram mais de 1 milhão de pessoas, incluindo cerca de 350 mil crianças. "Isso está afetando completamente a vida das crianças. Sem casa, sem escola, sem senso de normalidade", lamentou o representante do Unicef.
Escolas transformadas em abrigos e educação comprometida
Muitas famílias com crianças buscaram refúgio nas mesmas escolas públicas que já haviam utilizado em 2024, durante o último conflito entre Hezbollah e Israel. Para os estudantes libaneses, a situação agrava uma trajetória educacional já profundamente prejudicada por uma série de crises anteriores.
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Chaiban enfatizou a urgência em encontrar meios de manter o aprendizado tanto para as crianças deslocadas quanto para aquelas cujas escolas foram convertidas em abrigos temporários. A continuidade da educação, mesmo em meio ao caos, é vista como fundamental para preservar um mínimo de estrutura e esperança para as gerações mais jovens.



