EUA não exigiram fim do enriquecimento de urânio do Irã em negociações, afirma chanceler
Os Estados Unidos não pediram ao Irã que abandonasse o enriquecimento de urânio durante as negociações realizadas na terça-feira, 17 de junho, em Genebra, com a mediação de Omã. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista ao canal americano MSNBC, transmitida nesta sexta-feira, 20 de junho.
Posição iraniana sobre o programa nuclear
"Não propusemos nenhuma suspensão, e os Estados Unidos não pediram o enriquecimento zero", afirmou Araghchi, destacando que o foco atual é garantir que o programa nuclear iraniano, incluindo o enriquecimento de urânio, permaneça pacífico para sempre. Segundo o chanceler, o próximo passo do Irã será apresentar a Washington um rascunho de possível acordo nos próximos dois ou três dias.
O enriquecimento de urânio é um processo industrial que aumenta a concentração do urânio-235 para uso como combustível nuclear ou, em níveis mais altos, em armas atômicas. Especialistas explicam que:
- Entre 3% e 5%: serve para alimentar usinas nucleares e produzir eletricidade.
- Até 20%: pode produzir isótopos utilizados no diagnóstico de alguns tipos de câncer.
- Acima desse limiar: pode ter aplicações militares, exigindo 90% para fabricar uma bomba atômica.
Contexto das negociações e tensões recentes
Washington e Teerã concluíram na última terça-feira uma segunda rodada de negociações mediadas por Omã na cidade suíça de Genebra, após uma primeira rodada em 6 de fevereiro, em Omã. Estas reuniões marcam a primeira vez que representantes de ambos os países se reúnem após a guerra de 12 dias entre Irã e Israel em junho de 2025, quando os EUA intervieram bombardeando instalações nucleares iranianas.
O presidente americano, Donald Trump, tem defendido repetidamente a proibição total do enriquecimento de urânio no Irã, uma exigência que Teerã considera uma linha vermelha nas negociações. Na quinta-feira, 19 de junho, Trump sugeriu que os Estados Unidos poderiam atacar novamente o Irã se não houver um acordo em um prazo inicial de dez dias, posteriormente estendido para 15.
Acusações e direitos civis
Países ocidentais acusam o Irã de buscar armas nucleares, algo que Teerã nega veementemente, insistindo em seu direito de enriquecer urânio para fins civis. As negociações em Genebra representam um esforço diplomático crucial para evitar novos conflitos e estabelecer garantias sobre a natureza pacífica do programa nuclear iraniano.



