EUA enviam caças F-22 a Israel em cerco militar ao Irã antes de negociações nucleares
EUA enviam F-22 a Israel em cerco ao Irã antes de negociações

EUA intensificam pressão militar com envio de caças F-22 a Israel antes de negociações com Irã

Em um movimento estratégico significativo, o governo do ex-presidente Donald Trump enviou uma esquadrilha de caças F-22 Raptor, os mais poderosos do arsenal americano, para operar em Israel pela primeira vez na história. Os aviões, que estavam há uma semana na base de Lakenheath, no Reino Unido, decolaram na terça-feira (24) rumo a um ponto não revelado no sul de Israel, provavelmente a base aérea de Nevatim. Relatos da imprensa israelense indicam que um dos caças enfrentou problemas técnicos e retornou, com sua situação posterior ainda incerta.

Contexto de tensão nuclear e diplomacia

A chegada dos F-22 ocorre às vésperas de uma reunião crucial entre equipes negociadoras do Irã e dos Estados Unidos, mediada por Omã em Genebra, na Suíça, marcada para esta quinta-feira (26). Trump ameaça atacar o Irã caso não haja um acordo sobre o programa nuclear do país, exigindo o fim do enriquecimento de urânio e o desmantelamento das capacidades de lançamento de mísseis balísticos. Teerã rejeita essas demandas, mas afirma renunciar à bomba atômica, oferecendo diluir 400 kg de urânio enriquecido a 60%, produzido aceleradamente desde 2022, em troca do relaxamento das sanções retomadas pelos EUA após o fracasso do acordo de 2015.

Em seu discurso sobre o Estado da União na terça-feira, Trump reiterou preferir uma solução diplomática, mas afirmou estar pronto para atacar, exagerando ao declarar que destruiu o programa iraniano com ataques a três instalações nucleares em junho passado. Esses ataques ocorreram no âmbito da guerra de 12 dias entre Israel e o Irã em 2025, que degradou severamente as defesas aéreas iranianas. Após lançar cerca de 600 de seus estimados 2.000 mísseis balísticos, o Irã fez apenas uma retaliação simbólica contra uma base americana no Qatar, encerrando o conflito.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Poderio militar e cenários de conflito

Atualmente, Trump mobilizou o maior poderio aeronaval desde a guerra de 2003 contra o Iraque na região, com 18 navios de guerra americanos, incluindo dois porta-aviões, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. No entanto, especialistas apontam que essa força pode ser insuficiente para uma guerra prolongada visando a derrubada do regime, comparando com os 55 navios e cinco porta-aviões usados em 2003, além da ausência de um componente terrestre agora. A inteligência israelense estima que o nível atual de forças americanas, sem ajuda adicional, suportaria cerca de uma semana de guerra de alta intensidade.

O simbolismo do F-22 é crucial: como caça furtivo aos radares, o Raptor é projetado para superioridade aérea, abrindo caminho ao abater inimigos e desabilitar baterias antiaéreas. Eles foram usados dessa forma no ataque de 2025, onde bombas foram lançadas por B-2, outro bombardeiro furtivo. O veto do Reino Unido ao uso de suas bases para escalas sugere uma possível repetição desse cenário, com ataques de longo alcance direto dos EUA.

Riscos e consequências potenciais

Analistas, como o iraniano radicado nos EUA Trita Parsi, alertam que, se houver risco existencial, o Irã pode retaliar com força contra bases americanas na região e Israel, que já está em alerta máximo. Outro foco de ação seria o estratégico estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás liquefeito do mundo. Além disso, um ataque para decapitar o regime, matando líderes como Ali Khamenei, poderia levar o país a uma ditadura militar ou guerra civil, ambos caminhos desastrosos.

Notavelmente ausentes da discussão estão os milhares de manifestantes contrários ao regime iraniano, cujos megaprotestos em janeiro fizeram Trump prometer ajuda que não veio, resultando em uma repressão que pode ter matado mais de 5.000 pessoas. A presença inédita dos F-22 em Israel sinaliza que opções militares estão na mesa, mas resta saber se um ataque duro encerraria o conflito ou apenas forçaria mais negociações em um cenário já altamente volátil.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar