CIA lança vídeo em mandarim para recrutar militares chineses como informantes
A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, conhecida como CIA, divulgou um vídeo em mandarim nas redes sociais com o objetivo explícito de recrutar membros insatisfeitos do Exército de Libertação Popular da China para atuarem como informantes. A produção, publicada nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, representa a mais recente iniciativa da agência para expandir sua rede de espiões no território chinês, aproveitando-se do descontentamento com a corrupção nas forças armadas.
Narrativa focada na insatisfação militar
O clipe, disponível no YouTube, apresenta uma narrativa ficcional onde um oficial militar chinês vive um dia comum de trabalho enquanto expressa sua frustração com a corrupção institucional. Em mandarim, o personagem reflete: "A cada dia que passa, fica mais claro que a única coisa que nossos líderes partidários querem defender são seus próprios bolsos". A produção cinematográfica mostra o militar retornando para casa, observando sua família e tomando a decisão de contatar a inteligência americana.
Na sequência emocional, o protagonista justifica sua escolha: "Eu não podia deixar a loucura deles fazer parte do futuro da minha filha". O vídeo finaliza com o militar em um estacionamento isolado, utilizando um notebook para possivelmente transmitir informações, enquanto declara: "Eu sou um soldado. Minha responsabilidade é defender o povo e a pátria. Escolher esse caminho é a forma como luto pela minha família e pelo meu país".
Estratégia de recrutamento e instruções técnicas
Na descrição da publicação, a CIA afirma buscar "pessoas confiáveis que estejam dispostas a contar a verdade sobre a China". A agência incluiu um link que redireciona para instruções detalhadas sobre como cidadãos chineses podem utilizar a dark web ou redes privadas virtuais para estabelecer contato seguro, evitando a vigilância das autoridades de Pequim.
Esta campanha faz parte de um esforço contínuo de Washington para reconstruir sua infraestrutura de inteligência na China, que foi severamente comprometida na década passada. Entre 2010 e 2012, as autoridades chinesas prenderam ou executaram mais de uma dúzia de fontes americanas, destruindo grande parte do sistema secreto utilizado pelos Estados Unidos para comunicação com informantes.
Declarações oficiais e contexto estratégico
O diretor da CIA, John Ratcliffe, destacou que a campanha online em mandarim, iniciada no ano anterior, já está apresentando resultados concretos. Em comunicado oficial, Ratcliffe afirmou: "Alcançamos muitos cidadãos chineses, e sabemos que há muitos mais buscando uma forma de melhorar suas vidas e mudar seu país para melhor".
Os analistas de inteligência americana acreditam existir um número significativo de autoridades chineses frustradas com os altos índices de corrupção dentro das forças armadas, criando uma janela de oportunidade para recrutamento. Segundo o diretor da agência, esta iniciativa representa uma chance para que "funcionários e cidadãos do governo chinês possam trabalhar juntos por um futuro promissor".
Expansão da rede de informantes
A produção audiovisual integra uma série de vídeos desenvolvidos especificamente para ampliar o recrutamento de informantes americanos na China. A estratégia utiliza múltiplas plataformas digitais e abordagens psicológicas que exploram:
- Insatisfação com a corrupção nas instituições militares
- Preocupação com o futuro familiar
- Sentimento de dever patriótico redirecionado
- Anseio por mudanças políticas no país
Esta campanha marca um capítulo significativo nas relações de inteligência entre Estados Unidos e China, refletindo tanto a competição estratégica entre as potências quanto as vulnerabilidades internas que Washington busca explorar para fortalecer sua posição de inteligência na região asiática.



