Bases militares americanas no Oriente Médio tornam-se alvo de ataques iranianos
Instalações militares dos Estados Unidos localizadas em cinco países do Oriente Médio passaram a ser alvo de uma série de ataques atribuídos à Guarda Revolucionária Iraniana. As bases situadas nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Jordânia e Kuwait foram atingidas como retaliação direta à ação militar conduzida por Washington e Tel Aviv contra o território iraniano.
Contexto do conflito e resposta iraniana
Na madrugada de sábado, 28 de fevereiro, no horário local, a capital Teerã foi bombardeada em uma operação coordenada entre as forças dos Estados Unidos e Israel. Este episódio ocorreu após semanas de negociações tensas e intensa pressão diplomática americana para que o governo iraniano encerrasse seu programa nuclear, considerado uma ameaça à segurança regional e global.
Os Estados Unidos mantêm uma impressionante rede de 19 bases militares próprias no Oriente Médio, além de diversas outras instalações utilizadas através de alianças estratégicas com nações da região. Esta presença constitui a maior rede de forças militares estrangeiras em operação no mundo atualmente.
Estrutura militar americana na região
De acordo com levantamento realizado pelo Congresso dos Estados Unidos em 2024, oito dessas bases são controladas diretamente pelos americanos, enquanto outras onze contam com tropas e equipamentos militares norte-americanos. A distribuição geográfica mostra que o Kuwait abriga cinco bases; Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Síria possuem duas cada; Egito, Jordânia, Omã e Catar contam com uma instalação militar.
A maior e mais importante instalação é a base aérea de Al Udeid, localizada no Catar, que concentra aproximadamente 10 mil militares e capacidade para operar até 100 aeronaves. Este complexo sedia o quartel-general do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, responsável por operações militares no Oriente Médio, Egito, Ásia Central e partes do sul da Ásia.
Em 2025, Al Udeid já havia sido atacada pelo Irã em resposta a bombardeios anteriores contra instalações nucleares iranianas. Recentemente, em janeiro, a base entrou em alerta máximo de segurança e recebeu baterias móveis do sistema antiaéreo Patriot para reforçar sua defesa.
Outras bases estratégicas americanas
No Kuwait, o Campo Arifjan funciona como centro logístico fundamental e abriga cerca de nove mil soldados norte-americanos. Já a base naval situada no Bahrein, com aproximadamente sete a nove mil militares, possui importância estratégica por sua capacidade de comportar porta-aviões, navios de combate e até submarinos nucleares.
A base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, reúne cerca de dois mil soldados e aeronaves da 332ª divisão da Força Aérea dos Estados Unidos. Enquanto isso, a Base Prince Sultan, com 2.300 tropas, tem como missão principal proteger rotas de transporte de petróleo e conta com sistemas avançados de defesa antiaérea Patriot e THAAD.
Declarações oficiais e contexto global
Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, confirmou pessoalmente os ataques realizados contra o Irã neste sábado. Em suas declarações, afirmou que a ação eliminou "ameaças iminentes" à segurança nacional americana e sugeriu que "a hora de liberdade" do povo iraniano estaria se aproximando.
Globalmente, os Estados Unidos mantêm cerca de 170 mil tropas distribuídas em aproximadamente 800 instalações militares espalhadas por dezenas de países. Especificamente, possuem 128 bases distribuídas em 51 nações diferentes, com um investimento anual que supera a marca de 70 bilhões de dólares.
Análise estratégica da presença militar
Segundo Vitelio Brustolin, professor da Universidade Federal Fluminense e pesquisador associado da Universidade de Harvard, essa extensa estrutura militar é essencial para os objetivos estratégicos americanos de conter adversários e projetar poder globalmente. "Os novos documentos estratégicos dos Estados Unidos deixam claro que a segurança das Américas constitui parte central da segurança nacional direta e prioritária para os EUA, diferentemente de Ásia e Europa, onde o foco é secundário", explicou o especialista.
Brustolin acrescentou ainda que "isso não significa necessariamente que os Estados Unidos busquem estabelecer novas bases militares na América Latina", indicando que a prioridade atual permanece no Oriente Médio e regiões adjacentes.
O ataque ocorre precisamente no momento em que os Estados Unidos reuniram uma vasta frota de caças e navios de guerra na região do Golfo Pérsico, numa tentativa clara de pressionar o Irã a chegar a um acordo definitivo sobre seu polêmico programa nuclear. A situação permanece extremamente tensa, com possibilidades de escalada adicional do conflito.
