Programa nuclear iraniano coloca bases dos EUA no Oriente Médio em alerta máximo
O programa nuclear do Irã continua sendo uma fonte de tensão internacional, especialmente para os Estados Unidos, que mantêm uma extensa rede militar no Oriente Médio. As bases norte-americanas na região estão em alerta máximo após ameaças do regime do aiatolá Ali Khamenei, que prometeu retaliar qualquer ataque ao Irã bombardeando instalações militares dos EUA.
Rede militar norte-americana no Oriente Médio
Os Estados Unidos possuem 19 bases militares no Oriente Médio, formando a maior e mais ampla presença militar estrangeira na região. Segundo levantamento de 2024 do Congresso dos Estados Unidos, oito dessas bases são controladas diretamente pelo país, enquanto outras onze contam com presença de tropas e equipamentos militares norte-americanos.
A distribuição geográfica dessas instalações inclui:
- Kuwait: 5 bases
- Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Síria: 2 bases cada
- Egito, Jordânia, Omã, Catar: 1 base cada
Principais bases estratégicas
Al Udeid, Catar: A maior base dos EUA no Oriente Médio abriga cerca de 10 mil soldados e tem capacidade para 100 aeronaves. É o quartel-general do Centcom, divisão central do Exército dos EUA responsável pelo Oriente Médio, Egito, Ásia Central e partes do sul da Ásia. Em janeiro deste ano, a base entrou em alerta máximo e evacuou parte do pessoal, com o Exército norte-americano posicionando baterias móveis de defesa aérea Patriot no local.
Camp Arifjan, Kuwait: Considerado um centro logístico do Exército norte-americano, esta base já deu suporte para missões dos EUA no Iraque e na Síria. Abriga cerca de nove mil soldados e possui diferencial em suprimentos e mobilização rápida.
Al Dhafra, Emirados Árabes Unidos: Esta base possui mais de 50 jatos F-22, drones de ataque e aeronaves de vigilância dos EUA, com foco em inteligência, aviação furtiva e monitoramento regional. Abriga aproximadamente 3,5 mil soldados norte-americanos.
Naval Support Activity Bahrain, Bahrein: Base naval estratégica com entre sete e nove mil soldados dos EUA, focada em garantir a segurança do Golfo Pérsico, Mar Vermelho e Oceano Índico. Tem capacidade para receber porta-aviões e outros navios de combate.
Tensões crescentes e preocupações regionais
Em janeiro, países da Península Arábica, incluindo Arábia Saudita, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, proibiram o governo norte-americano de utilizar seus espaços aéreos e terrestres para lançar um ataque contra o Irã. Esses países temem uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio, especialmente após as ameaças de retaliação do regime iraniano.
A base de Muwaffaq Salti na Jordânia, que abriga cerca de dois mil soldados dos EUA, foi uma das que recebeu mais jatos norte-americanos deslocados para o Oriente Médio na atual escalada militar contra o Irã. Da mesma forma, a base Prince Sultan na Arábia Saudita, com aproximadamente 2,3 mil tropas dos EUA, tem foco em proteger rotas de petróleo de ataques do Irã ou dos Houthis, grupo rebelde iemenita financiado por Teerã.
Contexto global da presença militar norte-americana
Os Estados Unidos mantêm a maior rede de bases militares estrangeiras do mundo, com cerca de 170 mil tropas postadas em aproximadamente 800 instalações militares em dezenas de países. Dessas, 128 são bases militares distribuídas por 51 países em cinco continentes.
Segundo o Congresso dos EUA, as principais razões estratégicas para manter bases pelo mundo são:
- Facilitar respostas militares rápidas fora dos EUA quando necessário
- Dissuadir adversários de atacar os EUA ou seus aliados e parceiros
- Garantir a segurança dos países aliados e parceiros dos EUA
O país gasta mais de US$ 70 bilhões (R$ 364 bilhões) por ano para manter suas instalações militares no exterior, com 230 mil militares, entre tropas da ativa e civis funcionários, posicionados nessas instalações.
Segundo Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard, o posicionamento e distribuição dessas instalações militares têm importância estratégica fundamental para as pretensões geopolíticas dos EUA, servindo principalmente para a contenção de adversários e projeção de poder militar.
Embora documentos estratégicos recentes dos EUA enfatizem a segurança das Américas como prioridade central, Brustolin afirma que uma grande mudança na configuração atual das forças norte-americanas parece improvável no curto prazo. "Os Estados Unidos não precisam construir novas bases militares na América Latina porque já é possível projetar poder a partir de seu próprio território", explicou o professor.



