Perícia médica avalia saúde de Bolsonaro na Papudinha
Um laudo pericial elaborado pela Polícia Federal a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indica que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) necessita de cuidados especiais na Papudinha, onde cumpre pena, mas sem necessidade de transferência para um hospital penitenciário. O documento, que analisa o quadro de saúde do ex-presidente, aponta que ele apresenta doenças crônicas sob controle, porém recomenda otimizar tratamentos e medidas preventivas devido ao risco de complicações, especialmente quedas.
Detalhes do laudo e recomendações
O laudo, baseado em visita médica realizada no último dia 20, destaca que Bolsonaro tem risco de queda, exigindo vigilância contínua. Os médicos peritos levantaram a hipótese de que o uso combinado de certos medicamentos, que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular, contribui para esse risco, podendo causar efeitos como sedação, tontura e hipotensão postural. O ex-presidente relatou sensação de tontura ao mudar de posição e necessidade de concentração ou apoio para caminhar.
Entre as comorbidades crônicas identificadas estão:
- Hipertensão
- Obesidade clínica
- Refluxo
- Apneia obstrutiva do sono grave
O laudo recomenda uma investigação mais aprofundada do quadro neurológico e lista cuidados especiais, como:
- Instalar grades de apoio nos corredores e no box de banho
- Colocar campainhas de emergência e equipamentos de monitoramento em tempo real na cela
- Seguir dieta prescrita por nutricionista
- Praticar atividade física e fisioterapia regularmente
Condições atuais e rotina na Papudinha
Atualmente, Bolsonaro conta com uma campainha de emergência próxima à cama e barras de apoio ao lado da cama e do vaso sanitário. Ele realiza sessões de fisioterapia e acupuntura, mas a Papudinha não possui ambulatório próprio – o mais próximo fica na Papuda, a três quilômetros de distância. No entanto, o ex-presidente tem um médico dedicado e uma unidade do Samu disponível 24 horas por dia.
Em relação à alimentação, o laudo critica a dieta de Bolsonaro, que é pobre em frutas, verduras e hortaliças, e inclui frequentemente alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares refinados, como biscoitos e bolos. O ex-presidente toma apenas o café da manhã servido na Papudinha, composto por pão com manteiga e achocolatado, enquanto as demais refeições são trazidas por familiares, especialmente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que costuma preparar marmitas com arroz, feijão, proteína e salada.
Contexto político e manifestações
O ministro Alexandre de Moraes solicitou que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre a perícia. Bolsonaristas esperam que o laudo fortaleça o pleito da defesa para transferir o ex-presidente para a prisão domiciliar, um benefício que Moraes já concedeu ao ex-presidente Fernando Collor no ano passado, devido a diagnóstico de Parkinson e risco de queda. No entanto, Moraes havia barrado perguntas relacionadas à prisão domiciliar durante a elaboração do laudo.
Em janeiro, após uma queda em que Bolsonaro bateu a cabeça na superintendência da Polícia Federal em Brasília, e após conversa de Michelle com Moraes, o ex-presidente foi transferido para uma cela mais espaçosa na Papudinha. O laudo confirma que há risco de novas quedas, especialmente sem vigilância adequada, e ressalta a necessidade de cuidados preventivos.
Outros aspectos de saúde e rotina
Bolsonaro relatou aos médicos que sofre de soluço constante, um problema para o qual ainda não encontrou solução definitiva, e que os medicamentos atuais causam fadiga e reduzem sua disposição para atividades como leitura. Ele também mencionou que cirurgias realizadas em dezembro para amenizar as crises tiveram pouco efeito, embora durante a visita dos peritos não tenha apresentado soluços.
Quanto ao sono, o ex-presidente afirmou que melhorou desde que começou a usar o aparelho CPAP em janeiro. Sobre as condições da Papudinha, ele disse ter mais espaço do que na PF e não se incomodar com barulhos. Os médicos não encontraram evidências de depressão, e Bolsonaro relatou buscar manter o equilíbrio emocional, preocupando-se com Michelle, sua filha Laura e sua enteada.
A rotina diária do ex-presidente inclui dormir por volta das 22h, acordar às 5h e levantar-se às 8h. De manhã, ele toma banho, faz a barba e lê livros; à tarde, descansa 20 minutos após o almoço, assiste a programas esportivos na TV e conversa com policiais de plantão, realizando caminhadas diárias no fim da tarde.