A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, fez um anúncio significativo nesta segunda-feira (2), revelando que deixará o cargo para se dedicar à disputa das eleições de 2026. Com três anos à frente da instituição, ela marcou história como a primeira mulher indígena a comandar o órgão, um marco importante para a representatividade no Brasil.
Decisão baseada na legislação eleitoral
Em suas declarações, Joenia Wapichana explicou que a saída é necessária para atender às exigências da legislação eleitoral, que requer afastamento de cargos públicos para candidaturas. "Para concorrer, tenho que deixar o cargo para atender à legislação eleitoral. Por isso, em março, vou deixar a presidência da Funai", afirmou ela, destacando o compromisso com as normas democráticas.
Indicação de sucessora e contexto político
Além de anunciar sua partida, Joenia Wapichana já indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma sucessora: a antropóloga Mislene Metchacuna, do povo Tikuna, que deve assumir o comando da Funai. O anúncio foi feito durante uma agenda do governo federal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, reforçando o vínculo com as comunidades originárias.
Segundo apurações, a intenção de Joenia é disputar o cargo de deputada federal, uma função que ela já exerceu entre 2019 e 2022. Naquela ocasião, tentou a reeleição, mas não obteve sucesso, o que a motiva a retornar à cena política com novas perspectivas.
Movimentações no governo Lula
A saída de Joenia Wapichana não é um caso isolado. Pelo menos 20 ministros do governo Lula devem deixar seus cargos nos próximos meses, em um movimento que inclui nomes de peso como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT); a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT); e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Essa renovação pode impactar diversas áreas da administração pública.
Legado e importância histórica
Joenia Wapichana deixa um legado importante na Funai, tendo sido a primeira indígena a assumir o comando do órgão, o que simboliza um avanço na inclusão e representação dos povos originários nas esferas de poder. Sua trajetória política continua a inspirar debates sobre diversidade e direitos indígenas no Brasil.
O anúncio ocorre em um momento crucial, com a atenção voltada para as preparações eleitorais de 2026, e destaca o papel crescente de lideranças indígenas na política nacional. A indicação de uma sucessora do povo Tikuna também sinaliza a continuidade de uma gestão comprometida com as causas indígenas.